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Indaiatuba

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Indaiatuba perdeu ontem, dia 29, uma de suas referências nas artes visuais. O artista plástico e publicitário José Paulo Ifanger morreu ontem pela manhã a caminho do hospital, depois de passar mal em sua casa. Ele deixa a esposa Maria Alice e as filhas Ana Paula e Camila. Zé Paulo, como era conhecido, nasceu em Campinas em 16 de março de 1941, mas sempre morou em Indaiatuba. Autodidata, sempre desenhou, mas foi aos 13 anos que começou a sério. “Minhas professoras sempre levavam meu desenhos para casa e eu pensei: peraí, deve ter alguma coisa de bom neles”, contou ele em entrevista para a Tribuna em janeiro deste ano. Aos 14 anos pediu ao seu pai que trouxesse de São Paulo material para pintura e em seguida pintou o retrato de Leonardo da Vinci, obra que conserva até hoje no seu acervo. Seguiu pintando retratos e aperfeiçoava sua técnica consultando coleções dos grandes mestres. Um dia, leu sobre a Semana de Arte Moderna de São Paulo e teve uma revelação. “Descobri o Modernismo e deixei o academicismo”. Ele ainda guarda os dois primeiros trabalhos dessa virada estética. Um representa o pessoal do Indaiatuba Clube nos idos 1968 e o outro uma banda de coreto. Fez sua primeira exposição em 1978 por insistência do professor da Universidade de Tóquio, Toshiasu Maqui, que passou alguns meses em Indaiatuba e ao se deparar com os quadros de Ifanger sugeriu que expusesse juntamente com ele no Indaiatuba Clube, sob patrocínio do Lions Clube. “Até então, nunca tinha vendido um quadro”, recorda. Seus quadros fizeram sucesso, e a partir daí passou a vender para conhecidos. Chegou a pegar sua Brasília, enchê-la de quadros e sair vendendo. Nesse mesmo ano, o artista uruguaio Carlos Paez Vilaró levou um quadro seu para Washington, na OEA, Museu de Arte Moderna da América Latina; o quadro foi bem recebido e hoje faz parte do acervo do museu, representando as aquisições do Brasil, ao lado de grandes nomes como Tomie Otake, Manabu Mabe e Cândido Portinari. Ainda em 1978 fez outra exposição em Punta Del Leste, Uruguay, no ateliê de Vilaró, onde exibiu 14 telas. Possui quadros em coleções particulares de vários países como Japão, Suíça, Argentina, Venezuela, entre outros. A segunda exposição individual em sua cidade, no entanto, aconteceu apenas em abril deste ano, na Galeria das Artes do Centro Cultural Wanderley Peres, que leva o nome de um de seus grandes amigos. Ainda em 2010 teve alguns quadros expostos na Unicamp. Em 1978, o artista fundaria com Agenor Clauss a Clauss & Ifanger, a primeira agência de publicidade da cidade, que “mudaria o conceito de se fazer propaganda na ainda provinciana Indaiatuba”, como escreve Antônio da Cunha Penna em seu best seller Nos Tempos do Bar Rex. Ainda segundo Penna, “Zé Paulo criaria centenas de logomarcas, símbolos e embalagens que imprimiram modernidade à comunicação visual de nosso comércio e indústria. Vários monumentos que enfeitam avenidas da cidade e o marco do cinquentenário do Indaiatuba Clube são de sua autoria. Deixou a publicidade em 1997 para se dedicar somente à arte. “Perdi 20 anos. Se tivesse me dedicado mais à pintura ao invés de trabalhar em publicidade teria ganho mais”, lamenta-se. “Então porque não o fez?”, perguntei. “Inibição, temor, sei lá”, respondeu na entrevista. Seu foco, no entanto, sempre foi vender. Nunca deu um quadro de presente e só entrega mediante pagamento à vista. Recorda-se que seu trabalho mais caro foi comprado por um amigo, dono de uma indústria, que se encantou com o tema da imigração italiana, feito por encomenda de uma agência bancária de Salto, que acabou desistindo. “Quanto quer pelo quadro”. Ifanger respondeu. “Você está louco? Está pensando que é Portinari?”. “É esse o preço”. “Faz em três parcelas que eu levo”. “Não, quadro é à vista”. “Em duas”. “Não”. Finalmente acertaram em dois cheques, um à vista e outro para 15 dias, e o artista saiu com o cheque no bolso e passou pela loja de carros de um amigo. Viu um Del Rey 83 (era o ano de 1984) e perguntou quanto era. Exatamente o valor dos dois cheques. Levou o carro. “Agora veja só, o carro já foi faz tempo, mas o quadro ainda está lá. Por isso vale à pena investir em arte”, filosofou.


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