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Assim nasceu o ‘pique-pique’ O amigo da coluna José Aristides Barnabé, sempre um atento em curiosidades, envia matéria de Adriano Marrey explicando como surgiu o tradicional “pique-pique, é hora...”. Repasso aos leitores. As gerações de bacharéis veteranos concorreram para a formação do mais rico folclore acadêmico, ou melhor, para o que se chama de suas tradições. Foram os estudantes de uma turma próxima de 1930 os que criaram, um dia, o popular “pique-pique”, que atualmente todos cantam nos dias festivos. Poucos conhecem a sua singular origem. Escreveu Guilherme de Almeida que três estudantes da turma que colaria grau em 1927 eram então amigos inseparáveis nas horas de boemia. Um deles usava um extraordinário bigode de pontas finas e retorcidas para cima e por isso era apelidado de “pique-pique”. Outro, tinha ‘inteligência viva e afinado senso de humor’ e apreciava desconsertar os interlocutores mais austeros, interdizendo no meio das conversas frases desconexas, como esta: ‘Veja você, hein? Meia hora...’. O terceiro era outro brincalhão. Juntos constituíam o grupo do “Pudim”. Numa noite, quando bebericavam o seu chope e num bar celebravam o aniversário de um deles, um gritou: “Pique-pique, pique-pique, pique-pique”. Outro retrucou: “Meia hora, meia hora, meia hora”. Daí, para emendar com “Rá-rá-tchin-bum”, foi um relâmpago. Estava criado o hino do “Pudim”, o grito de guerra de toda a estudantada. Segue Guilherme de Almeida: “no dia seguinte visitava a Faculdade de Direito do Largo de São Francisco o Marajá de Kapurtala. Entre outras manifestações, recebeu nas bochechas ilustres, berrado de perto, o primeiro ‘pique-pique’ oficial. Gostou e manifestou alto interesse pela harmonia e sugestiva língua falada no Brasil”.


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