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Usar o 13º para pagar dívidas pode não ser um bom negócio

DINHEIRO

A segunda quinzena de novembro está aí e boa parte dos trabalhadores receberá a parcela do tão esperado 13º salário. Para os endividados, isso pode representar a ‘salvação da lavoura’, porém, antes de renegociar os débitos é necessário planejamento.

“Muitas pessoas agem desordenadamente e já querem antecipar ou utilizar o 13º para quitar as dívidas”, comenta o economista e educador financeiro, Reinaldo Domingos. “A medida é compreensível, mas vejo por trás disso um grande erro, já que ao sair imediatamente pagando o que deve, a pessoa se esquece de um princípio fundamental na educação financeira: planejamento para atingir os objetivos”.

O economista esclarece que, apesar deste pagamento ser um alívio para a população, usá-lo de forma impulsiva demonstra que não houve aprendizado com o endividamento e que, possivelmente, se retornará ao mesmo problema em pouco tempo. “Com o dinheiro em mãos, o primeiro passo é fazer um diagnóstico da situação financeira. É certo que não dará para fazer isso de forma ampla, que seria anotando por um mês todos os gastos, mas dá para traçar um panorama”, explica Reinaldo.

No caso de endividamento, o educador complementa que é necessário saber se as parcelas estão sob controle ou descontroladas, ocasionando a inadimplência. “A dívida está controlada quando a pessoa consegue quitá-las no prazo; o inadimplente, por sua vez, não consegue mais honrar os compromissos na data e corre o risco de ter seu nome inserido na lista de devedores. Neste caso, é interessante que, dentro de uma programação, se utilize o dinheiro extra para regularizar o pagamento”, aponta.

Pechinche

Se a opção for eliminar as dívidas, o endividado tem que tomar a atitude mais difícil, que é negociar com os credores. Mas, Reinaldo lembra que eles querem receber e estão dispostos a um consenso. “Saiba exatamente o que deve e para quem, dando prioridade às dívidas com juros maiores, como cartão de crédito e cheque especial. Antes de sair usando o 13º para pagá-las, negocie e tente conseguir um bom desconto e melhores condições de pagamento – lembrando que as taxas não devem ultrapassar os 2,5% mensais”, completa.

O valor negociado com os credores, no entanto, deve caber no orçamento mensal. “A situação é arriscada e pode refletir no cotidiano, como relação familiar e profissional. Antes de tudo é importante repensar os hábitos de consumo para não agravar ainda mais a situação”, analisa o especialista.

Por fim, o educador financeiro orienta a não ceder aos apelos comerciais de final de ano, a fim de não começar 2016 com novas dívidas. “Por maiores que sejam as facilidades de compra nesse momento, o consumidor deve observar a sua real situação financeira e projetá-la pelos próximos 12 meses. É importante lembrar também dos gastos de início de ano, como IPVA, material escolar etc. Busque o menor preço à vista e negocie sempre e evite parcelamentos longos. Caso não consiga pagar à vista, opte por parcelas curtas, não esquecendo que elas serão somadas às outras já existentes em seu orçamento”.


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