Indaiatuba

Caminhoneiros bloqueiam estradas de todo o País

PROTESTO

Uma manifestação iniciada na segunda-feira por caminhoneiros de todo o país bloqueou diversas estradas do Brasil durante a semana. O movimento, no entanto, perdeu força depois do anúncio de que o Governo Federal editaria uma medida provisória para endurecer as penalidades aos motoristas que mantivessem os bloqueios.

O grupo que participa do movimento, porém, foi convocado pelo Comando Nacional do Transporte e se declara independente de sindicatos, cujas reivindicações principais versam sobre o fim da corrupção e dos abusos em relação ao preço dos combustíveis.

“A principal causa dessa manifestação é pelo fim da corrupção, um negócio que a população está clamando nos últimos meses”, comentou o caminhoneiro Claudemir Travain, de 38 anos, que é de Indaiatuba e aparece em destaque nas manifestações. “A paralisação não foi realizada somente por caminhoneiros, eram vários movimentos unidos. No entanto, como o caminhão é grande e aparece mais, resolvemos demonstrar nosso apoio”.

Na região de Campinas, o principal bloqueio nas rodovias aconteceu na terça-feira, segundo informado pela Polícia Militar Rodoviária. Durante a manhã, cerca de 60 motoristas protestaram no quilômetro 130 da Rodovia Zeferino Vaz, nas proximidades da Replan, em Paulínia, a maior refinaria de petróleo da Petrobras, que está em greve.

Ainda de acordo com a Polícia, os caminhoneiros bloquearam os dois sentidos da rodovia e somente carros de passeio conseguiram passar pela manifestação.

Segundo o Sindicato dos Caminhoneiros de Campinas e Região, cerca de 10 mil motoristas de toda a Região Metropolitana de Campinas (RMC) aderiram à paralisação.

“Enquanto um veículo de passeio costuma fazer uma média de 12 quilômetros por litro de combustível, um caminhão chega a gastar seis vezes mais”, explicou Claudemir. “Em um país autossuficiente na produção de petróleo, isso é muito complicado. O povo não pode carregar toda essa carga tributária, é preciso mudar esse pensamento do ‘rouba, mas faz’, é preciso que o povo seja mais independente”, disse o caminhoneiro.

Medida provisória

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, anunciou na noite desta terça-feira, logo após o início das manifestações, que o governo editará uma medida provisória para endurecer as penalidades aos caminhoneiros que mantiverem os bloqueios de rodovias no país. A multa para quem participar dos bloqueios aumentará de R$ 1.915 para R$ 5.746. Os organizadores de manifestações com bloqueio, no entanto, poderão ser multados em até R$ 19.154.

“Estamos criando uma nova situação ao publicar a medida, com a introdução de um novo artigo no Código Nacional de Trânsito: 'usar veiculo para deliberadamente interromper, restringir ou perturbar a circulação na via, se classifica como infração gravíssima, e será aplicada multa de R$ 5.746”, adiantou o ministro, afirmando que, em caso de reincidência, o valor será dobrado. “Entendemos como inaceitável, no estado democrático, que pessoas utilizem veículos para bloquear estradas”, disse o ministro.

Falta de apoio barra o movimento

Apesar de ser deflagrado por todo o país, o movimento não tem adesão total dos caminhoneiros e acabou virando alvo de críticas de alguns órgãos que representam a categoria.

A Confederação Nacional dos Transportes Autônomos, por exemplo, afirmou em nota que não concorda com a mobilização, já que a pauta não tem relação com os problemas específicos da categoria.

Já a União Nacional dos Caminhoneiros também informou que discorda dos bloqueios, assim como a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística da CUT (CNTTL), que, também em nota, afirmou que o protesto é uma “manobra de um grupo que tenta usar os caminhoneiros em prol de interesses políticos, que nada têm a ver com a pauta de reivindicações da categoria”.


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