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Brasileiras residentes na França relatam os momentos de terror

MUNDO

Os ataques terroristas ocorridos em Paris, na França, na noite de sexta-feira, deixaram um saldo de 129 mortos e 350 feridos (de acordo com dados divulgados pela BBC na manhã de ontem). Apesar de as autoridades do país trabalhar firmes na identificação dos suspeitos, o clima é de tristeza e tensão, conforme nos contam duas brasileiras que vivem na cidade europeia.

“É a segunda vez moro aqui e passo por ataques terroristas: a primeira vez foi em 1995, quando vim estudar moda e uma bomba explodiu no metrô; e agora que cheguei em fevereiro desse ano, convidada para trabalhar numa startup como estilista e gerente de produto”, comenta Francine Holtz.

Ela fala que mora no bairro Bastille, local onde ocorreu a maior parte dos atentados. “Na hora em que começaram os ataques, eu estava com alguns amigos e minha mãe que veio me visitar – nós estávamos em um restaurante a 900 metros da Rue de Charonne, onde os terroristas assassinaram 18 pessoas”, lembra Francine. “Foi então que começamos a receber mensagens de amigos perguntando onde estávamos e pedindo para que voltássemos imediatamente pra casa, pois Paris estava em guerra. A princípio, achamos um exagero, mas, mesmo assim, saímos rapidamente. Só quando chegamos em casa e ligamos a TV é que vimos o horror que estava”, ressalta.

Francine se diz aliviada por não ter amigos entre as vítimas fatais, porém, muitos amigos de seus colegas franceses pereceram durante os atos violentos. “Eles (os terroristas) queriam atacar a população francesa, cidadãos comuns, que vivem aqui, pois os ataques foram concentrados em locais não turísticos”, salienta. “A violência se concentrou em bares, restaurantes e casa de shows, locais que os parisienses adoram”, completa a estilista.

Noite de terror

A pesquisadora de biofármacos, Georgia Porto, também nos deixou suas impressões sobre o atentado em Paris. “Estou na França há um ano e seis meses; moro na cidade de Nantes, região da Bretanha Francesa. Vim para cá por motivo de trabalho e, no momento dos ataques eu estava em um restaurante. Fomos orientados a pagar a conta e ir para casa o mais rápido possível. Algo havia acontecido e era relacionado ao terrorismo, mas até chegarmos em casa não sabíamos o que havia acontecido. Foram momentos de tensão”, detalha Georgia.

Ela aponta ainda que nenhum amigo próximo foi vítima dos ataques. “Alguns pesquisadores que conheço estavam no Stade de France, mas nada aconteceu.”

Dias de incertezas

Georgia declara ainda que o clima ainda é tenso em Paris. Na tarde de ontem, durante a entrevista à Tribuna, ela falou que havia acabado de sair de uma palestra de segurança. “Os temas abordados foram como andar na rua, como se comportar em lugares públicos e o que fazer caso algo aconteça”, explica.

A pesquisadora segue dizendo que ainda existe uma forte expectativa de que haja novo ataque, mas não podem dizer onde ou quando. “Em conversas com os amigos do trabalho, a grande maioria condena os ataques em retaliação. Todos estão muito tristes e relatam de não terem vontade de fazer mais nada, de ir ao teatro ou ao cinema. Percebe-se, inclusive, certa apatia, especialmente nas crianças”, lamenta.

Francieli, por sua vez, argumenta que já passou por assaltos, e que uma sensação é a mesma em relação aos atentados: a impotência. “Acho que agora o combate ao terrorismo irá mudar”, acrescenta. “Isso nos dá um sentimento de medo, pois existe a possibilidade de uma 3ª Guerra e aí não será somente na França, mas sim, o mundo contra o Estado Islâmico.”

A estilista também cita o movimento #jesuienterrasse (que significa ‘enterrar’ o episódio dos ataques), promovido nas redes sociais, com o objetivo de chamar as pessoas para ‘a vida’. “Estamos motivando a todos para continuarem a frequentar os bares e mostrarem que não seremos reféns do medo”, reforça.


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