Indaiatuba

Pais de autistas buscam apoio da Prefeitura na divulgação da causa

AJUDA

Na manhã da última segunda-feira, representantes da Comissão de Pais de Autistas de Indaiatuba procuraram a Prefeitura para pedir apoio em projetos e eventos realizados pela causa no município. Eles foram recebidos pelo prefeito Reinaldo Nogueira (PMDB); os secretários de Saúde e do Bem Estar Social, Roberto Stefani e Luiz Henrique Furlan; por Deize Clotildes Barnabé de Moraes e Evani Aparecida Perez, ambas representando a Secretaria Municipal de Educação.

Durante o encontro no gabinete de Nogueira, Marcelo Edgar da Fonseca e Souza e Valéria Duarte, membros da Comissão de Pais de alunos assistidos pelo Centro de Integração, Reabilitação e Vivência do Autista (Cirva), apresentaram projetos de divulgação da causa. Eles pediram o apoio do poder público municipal no sentido de criar mecanismos que expliquem à população o que é o autismo e quais os serviços disponíveis na cidade para quem sofre do transtorno.

“Fomos muito bem recebidos pelo pessoal da Prefeitura”, comenta Marcelo. “Buscamos auxílio na forma de ideias ou iniciativas públicas que divulguem informações, pois a maioria das pessoas ainda não sabe como lidar com autistas. Sugerimos a criação de uma cartilha com serviços e orientações, a exemplo do que é feito em relação às drogas.”

Estatísticas

Marcelo é pai de Pedro Henrique, de quatro anos de idade, e há sete meses é atendido pelo Cirva. “Ali ele tem gratuitamente diversas terapias, como fonoaudiologia, ocupacional, fisioterapia etc., e o atendimento é excelente”, declara.

De acordo com estatísticas verificadas, Marcelo elaborou um cálculo e aponta que, a cada 28 nascimentos no município, uma criança é autista. “A projeção em 20 anos é a de que haja um autista em cada dez crianças. Hoje existem aproximadamente 800 autistas em Indaiatuba; o Cirva atende a 70 crianças. Onde estão as outras?”, questiona.

Não é doença

“O autismo não é uma doença, mas sim um transtorno comportamental. Não tem cura, apenas melhora no quadro. A criança autista necessita de estímulos constantemente, caso contrário será um adulto improdutivo”, esclarece Marcelo.

Valéria Duarte, mãe de Raphael, que completa quatro anos em dezembro, também ressalta que, quanto mais cedo começar o tratamento, melhor. “Isso irá impedir a evolução do transtorno”, emenda.

Intolerância e preconceito

Valéria comenta ainda sobre as dificuldades em lidar com uma criança autista. “Queremos que a sociedade entenda que eles também têm direitos e devem ser respeitados. Já cheguei a ouvir das pessoas que as crises são ‘frescuras’ e que uma surra resolveria o problema. Isso nos impacta profundamente”, revela a mãe, emocionada.

Ela acrescenta que o apoio recebido no Cirva tem sido fundamental para o filho, que responde positivamente às terapias aplicadas. “O autismo é classificado em graus e, no caso de Raphael, é o mais leve e consequentemente, o mais difícil de lidar, pois ele não apresenta qualquer deficiência e parece uma criança comum, até necessitar de um atendimento médico ou de uma matrícula escolar. Ainda há muito preconceito e intolerância”, desabafa Valéria.


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