Indaiatuba

Corte de verbas do Judiciário pode trazer voto manual de volta

No início desta semana, uma portaria publicada no Diário Oficial da União divulgou que o corte no orçamento do Judiciário poderá tornar inviável o meio eletrônico nas eleições de 2016. A portaria, assinada pelos presidentes dos tribunais superiores, aponta o bloqueio de R$ 1,7 bilhão, que havia sido determinado pelo Executivo.

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o corte da verba destinada à Justiça Eleitoral irá impactar no processo de aquisição das urnas eletrônicas já licitadas. O Tribunal informa ainda que a contratação das urnas eletrônicas deve ser feito até o final de dezembro, com total estimado em R$ 200 milhões.

Conforme diz o próprio texto, a restrição impediria a compra de cem mil novas urnas eletrônicas para substituição dos modelos antigos, sem condições de uso. O TSE complementa que a demora ou não conclusão da licitação irá promover dano irreversível à Justiça Eleitoral. As urnas em processo licitatório possuem prazo que não permite prorrogação.

Embora não tenha sido divulgado de forma direta, a inviabilidade da urna eletrônica pode levar a Justiça Eleitoral a recorrer às cédulas de papel, o que, para muitos, é um retrocesso. Mesmo que haja confirmação do contingenciamento, o retorno ao voto manual seria parcial (18%).

Fraudes

O retorno das eleições em papel ainda não está confirmado; além disso, o orçamento poderá sofrer modificações no Congresso. Entretanto, o assunto já deu o que falar entre os eleitores nas redes sociais, pois há os que acreditam que a votação por meio eletrônico possibilite a ocorrência de fraudes.

"Estou certa de que há possibilidade de fraude nas urnas eletrônicas", afirma Aretha Stecconi, moradora do Jardim Morada do Sol. "Por que nos países de primeiro mundo ainda são utilizadas cédulas de papel? É claro que aí tem alguma coisa estranha", sugere.

A dona de casa Marli Santos não ficou contente em saber que o voto manual pode retornar. "Isso é terrível! Imagine o tempo enorme que vamos perder só para votar", exclama.

A Tribuna também ouviu a opinião do prefeito Reinaldo Nogueira (PMDB) sobre o que pensa da possibilidade de fraudes nas urnas eletrônicas. "É um retrocesso", disparou. "Se formos pensar assim, fraudes podem ocorrer no papel também - aliás, acho muito mais difícil fraudar uma urna eletrônica", complementa. "Ao votar, o eleitor apresenta seu documento e assina um livro - esta parte do processo é a mais importante, pois, caso haja alguma tentativa de fraude, será de responsabilidade dos mesários que estão ali para fiscalizar".

Auditoria

No início de novembro, o presidente do TSE, Dias Toffoli, informou que o PSDB não encontrou indícios de fraude nas eleições de 2014. A auditoria do processo de votação do segundo turno, vencido pela presidente Dilma Rousseff (PT), foi solicitada ao Tribunal pelo próprio partido, um ano depois da divulgação do resultado.

À ocasião, Toffoli declarou que não houve irregularidades no processo eleitoral de Dilma. Já o PSDB afirmou ter absoluta confiança na garantia dada pelo TSE quanto a segurança nas votações, porém, queria tranquilizar os eleitores que se manifestaram nas redes sociais, levantando dúvidas sobre a apuração dos votos.


Fonte:


Notícias relevantes: