Falta de estrutura é desafio à mobilidade

Indaiatuba

Falta de estrutura é desafio à mobilidade

A questão da acessibilidade às pessoas com deficiência (PcD) é um tema que ainda requer maior atenção no Brasil. A mobilidade nas cidades brasileiras continua a enfrentar barreiras e os deficientes são forçados a limitar suas atividades a espaços privados.

O planejamento urbanístico de uma cidade (descrito no Plano Diretor) deve ser desenvolvido com vistas a facilitar a vida das pessoas com deficiência. "O Plano Diretor de Mobilidade Urbana Sustentável (PMUS) começou a ser elaborado em junho de 2015, com o objetivo de se estabelecer políticas públicas para o planejamento da mobilidade, incluindo a acessibilidade para deficientes", explica Rubens Eduardo Pereira de Oliveira Júnior, assessor da Secretaria Municipal de Engenharia.

A criação do PMUS foi coordenada por uma comissão composta de integrantes também das secretarias de Administração, Obras e Vias Públicas (Semop), Desenvolvimento, Segurança, Urbanismo e Meio Ambiente (Semurb) e Habitação. A coleta complementar de dados para a elaboração do PMUS na cidade teve início em junho de 2015, por meio da qual foi feito o levantamento para instituir as diretrizes para a Política Nacional de Mobilidade Urbana. O trabalho envolveu pesquisas em domicílio, abordagem de usuários de transporte coletivo, avaliações do fluxo e volume de trânsito nas ruas, identificação de origem e destino, entre outros. O prazo de conclusão é de 12 meses, em que cerca de 850 residências deverão ser visitadas até o final, e três mil moradores entrevistados sobre seus hábitos de deslocamento.

Cidadania

Basta circular pelas ruas da cidade para ver flagrantes de desrespeito, principalmente aos cadeirantes. Lixo e areia, veículos estacionados ou bicicletas presas diante das rampas nas calçadas, dificultando ou impedindo a passagem do deficiente. Além disso, as vagas destinadas a eles normalmente são ocupadas por aqueles motoristas 'minutinho' - o tempo pode parecer curto, mas é o bastante para atrapalhar a vida do motorista deficiente que busca um espaço para seu veículo.
Para Rubens Oliveira, ainda há muito a ser feito na questão da mobilidade da pessoa com deficiência. "Temos duas vertentes, sendo uma delas a educação e a outra estrutural, como por exemplo, as rampas para os cadeirantes nas calçadas. As normas técnicas são muito complicadas, além disso, recentemente houve mudanças e alguns ajustes deverão ser feitos", conta o assessor. "A prioridade é tornar os locais 100% acessíveis e, em seguida, vem a tarefa de conscientizar as pessoas no sentido de respeitar vagas e espaços destinados aos deficientes físicos - conceito de educação mesmo", ressalta.

Nessa linha de cidadania, a presidente do Conselho Municipal para Assuntos da Pessoa com Deficiência (Comdefi), Silvana Maria Artoni Leal Diogo, defende, por meio do órgão os interesses da pessoa com deficiência no município. "Realizamos eventos e ações, com o objetivo de conscientizar a população e chamar a atenção para o respeito na convivência com os deficientes", assevera.
Entre as atividades, são promovidas palestras e dinâmicas que motivam a atitude de se colocar no lugar do outro. "Tentamos fazer com que eles sintam um pouco, seja com os olhos vendados, numa cadeira de rodas ou com um par de muletas, o que enfrentamos nestas situações, sejam temporária ou definitiva, que ocorrem em consequência de acidentes diversos, principalmente de trânsito e que o próprio desgaste do corpo com o viver vai se tornando deficiente através das limitações que vão chegando com a idade", esclarece Silvana.

Apesar de todos os empecilhos e esforços, Rubens avalia como bom o convívio social com os deficientes. "De um modo geral, a população tem respondido aos apelos - hoje, os deficientes saem para trabalhar e passear, o que não ocorria antes -, então, as pessoas acabam se acostumando e convivem em harmonia e respeito", pondera. "Mas, muito ainda necessita ser feito", conclui.


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