Indaiatuba

Empresa é apontada novamente em delação

Em mais uma delação premiada à Procuradoria-Geral da República, o entregador de dinheiro Carlos Alexandre de Souza Rocha, conhecido como Ceará e usado pelo doleiro Alberto Youssef, afirmou que o ex-ministro da Saúde e atual secretário de Saúde da Prefeitura de São Paulo, Alexandre Padilha, levaria uma parte do laboratório Labogen, localizado em Indaiatuba, e utilizado na tentativa de fraudar contratos milionários da Saúde em 2013. A denúncia foi feita com exclusividade pelo Estadão na quarta-feira. Padilha divulgou nota classificando a informação como "absurda e irresponsável".

Durante a delação, à qual o jornal O Estado de S.Paulo teve acesso e publicou na íntegra em seu site, Ceará afirma ter ouvido de Youssef que "iria fazer de um limão uma limonada" e alguns dias depois, explicou que se tratava de um negócio da Labogen com o Ministério da Saúde para o fornecimento de medicamentos.
Depois, afirmou que a divisão aconteceria entre Leonardo Meirelles, também doleiro e apontado como laranja de Youssef, que também levaria uma parte, além de Padilha e o ex-deputado André Vargas (preso na Operação Lava-Jato), que ficariam com a terceira parte, e por fim, o empresário Pedro Paulo Leoni Ramos, ex-ministro do governo Fernando Collor, e cujo fundo de investimento faria o aporte financeiro para que a Labogen fabricasse os medicamentos.

Fraude

Segundo a investigação, a Labogen é apontada como uma das empresas usadas por Youssef para enviar dinheiro de forma fraudulenta para o exterior, através de contratos de câmbio para importações inexistentes, segundo descobriu a Lava Jato. Ceará prestou um total de 19 depoimentos, entre 29 de junho e 2 de julho do ano passado, na Procuradoria-Geral da República. O documento divulgado pelo Estadão é o Termo de Colaboração número 7.
Nele, Ceará afirma que Youssef queria "viabilizar" a empresa de medicamentos para "receber uma dívida" e "ainda obter lucro". A Labogen, que estava em um momento delicado, foi a escolhida. No entanto, o delator não soube precisar o valor, se era de R$ 64 milhões ou R$ 164 milhões. Nenhum contrato foi identificado pela Polícia Federal até o momento.
Em nota enviada ao Estadão, Padilha comentou a acusação. "É absurda e irresponsável qualquer tentativa de mais uma vez vincular o nome do ex-ministro da Saúde ao referido laboratório por meio de "conversas ouvidas de terceiros" em uma delação. É imprescindível que os jornais se recordem que não foi encontrado nenhum vínculo do ex-titular da Pasta a qualquer irregularidade, mesmo após uma sindicância do Ministério da Saúde concluída há quase dois anos, uma apuração concluída pela Controladoria-Geral da União (CGU) e uma investigação da Polícia Federal (PF), não tendo sido o ex-ministro arrolado em nenhuma investigação suplementar. Ressaltamos ainda que em nenhum momento o ex-ministro esteve sob investigação da Operação Lava-Jato e sempre defendeu e contribuiu com a apuração total de qualquer irregularidade pelos órgãos competentes".

A Tribuna tentou contato com o Labogen até o fechamento desta edição, sem sucesso.


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