Indaiatuba

Homens contam como é a vida após sair das ruas

A quarta e última reportagem da série que trata sobre as pessoas que estão em situação de rua, em Indaiatuba, mostra a história de três pessoas que se recuperaram e conseguiram se livrar do vício do álcool, das drogas e se ressocializar.

No Viveiro da Secretaria de Urbanismo e Meio ambiente (Semurb), a Tribuna conheceu o senhor Antônio Gonçalves de Oliveira, de 65 anos, que trabalha lá há mais de quatro anos. Antônimo contou que nasceu na Bahia, mas veio para São Paulo ainda quando criança e que foi parar nas ruas após fechar sua empresa. "Eu tinha um ferro velho em Salto, mas não ligava para o meu futuro, meu negócio era cachaça e mulher; eu era novo e pensei que não iria ficar velho", lembra. "Quando percebi, eu estava descendo, fechei a empresa e fui catar reciclagem na rua para me manter, mas só bebia. Meus irmãos não sabiam e não vão saber da situação que vivi, eles não são culpados, eu é quem queria", recorda, contando que veio para Indaiatuba a pé. "Cheguei aqui e fiz um barraco na mata do jardim Morada do Sol, na saída para Salto, e fiquei morando lá, até que um dia, a assistência da prefeitura, com a Toninha, me tirou de lá e fui morar na Comunidade Farol", conta.

No Farol, Antônio fez um curso de horta e plantas e começou a trabalhar na Corpus. Foi, então, morar na república da comunidade e depois foi chamado para trabalhar na Semurb. Hoje, Antônio mora em uma casa alugada.

O jardineiro também se emocionou ao falar que não quer mais voltar a morar nas ruas. "Hoje, aquela vida não quero mais", garante. "Eu cheguei a tomar chuva, passar frio e fome. Falo para todo mundo, estou contente e agradeço a essas pessoas que me ajudaram e se interessaram por mim, como a Toninha e o [secretário da Semurb, José Carlos] Selone. Se não fosse por eles, hoje eu estaria no gramadão (cemitério)".

O aposentado Benedito Augusto Manoel, de 67 anos, que hoje mora no Abrigo Aconchego, também já dormiu no chão gelado das ruas e praças. Benedito nasceu em São Paulo e veio para Indaiatuba com nove anos de idade. Aqui, trabalhou na fazenda Santa Dulce, foi servente de pedreiro e depois foi parar nas ruas. "Eu tinha ganhado uma casa no Conjunto Habitacional Caminho da Luz, mas devido ao tráfico de drogas, fui para a Comunidade Farol, em 2012", se recorda. "Como eu não me dava bem com outras pessoas que moravam lá acabei indo embora e ficava nas ruas, tinha dias que almoçava no Bom Prato, em Campinas, dormia na Praça Dom Pedro... Até que um dia quebrei o fêmur e chamei a Toninha, que me levou para o hospital, onde passei por uma cirurgia", prossegue o aposentado. "Depois, em 2013, a toninha me trouxe para cá (Abrigo Aconchego)", adiciona, aproveitando para agradecer a Toninha e a todos que o ajudaram. "Olha, eu tenho muita pouca lembrança da rua, fiquei pouco tempo, mas é um sofrimento. O problema de quem está nas ruas é o vício ao álcool, às vezes preferem as ruas pela parte emocional, por causa de discussão com a família, ou a mulher abandona, é aonde perdem o controle e, para sair disso, não é fácil".

Benedito também aproveitou o contato com a Reportagem e a série de matérias para deixar um conselho aos seus colegas que ainda estão nas ruas. "Aqui é o velho companheiro de vocês, espero que vocês entendam que a situação de rua é uma situação triste e, se entenderem, e aceitarem a proposta da Toninha, as coisas podem melhorar. Vão para o Farol e, quando se recuperarem, vão poder voltar para o familiar, mas intacto, sem o vício de droga e bebidas. Essa é uma boa, as ruas não", conclui.


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