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Rio Jundiaí transborda e invade casas

Moradores dos bairros Itaici e Caminho da Luz passaram por apuros na manhã de ontem, devido à forte chuva na cabeceira do Rio Jundiaí, que transbordou, invadindo residências e empresas. Nem mesmo o campo do Ferroviário escapou da enchente, e teve a área do campo, o vestiário e a residência do caseiro, tomados pela água. Pelo menos seis famílias, 23 pessoas, ficaram desalojadas.

As chuvas torrenciais, que caíam desde a quinta-feira em todo interior paulista, causaram deterioração na ponte da Alameda Coronel Estanislau do Amaral, que passa sobre o Rio Jundiaí, em Itaici. A população do Caminho da Luz já se viu cercada pela inundação logo pela manhã, e não conseguiu deixar o bairro, já que nem mesmo os ônibus conseguiam entrar no local.

"Qualquer chuva alaga aqui; há anos o prefeito promete asfaltar a rua, mas até agora nada", criticou o estudante e morador, Felipe Camargo. "As pessoas que dependem do ônibus das 7h25 - a maioria que vai trabalhar e estudar - perderam o dia, porque o ônibus não conseguiu entrar. Havia cerca de 30 pessoas", emendou.

Já o morador do loteamento Mosteiro de Itaici, Marcelo Novaes de Souza, revela que perdeu tudo o que tinha. "Por volta das 7h, estávamos nos preparando para deixar as crianças na escola quando a água começou a invadir. Não deu tempo de fazer nada, porque subiu muito rápido. Fomos resgatados pelos Bombeiros, só com a roupa do corpo", lembra.

Marcelo recebeu abrigo na casa de amigos, no Mosteiro. "Não sei ainda o que vamos fazer; não queremos ficar incomodando as pessoas", lamentou. Ele e a esposa Gleice têm dois filhos, um de três anos e outro de 11 meses de idade. "No final do dia, nossa casa ainda estava com água na altura das janelas. Não temos parentes na cidade e, além disso, fui demitido na última segunda-feira. Preciso realmente pensar em como resolver isso, pois perdemos inclusive os documentos", com-
pletou Marcelo.

Cristina Antonietto, que abriu a casa para eles, garante que a família de Marcelo pode ficar em sua casa o tempo que precisarem, mas ficou indignada com a situação da população no bairro. "Moro no condomínio há 15 anos e já vi o rio encher por três vezes, porém, esta foi a pior. Não é nenhuma novidade o que acontece aqui quando chove; queremos saber quando as autoridades vão tomar providências", rebateu.

Prejuízos

O campo do Ferroviário também sofreu com a enchente em Itaici. Segundo o presidente da Aifa, Jonas Anhaia, a invasão da água começou por volta das 9h, e rapidamente atingiu a residência do caseiro, o vestiário e o campo de futebol. "O caseiro tinha saído e, quando voltou, viu a água ocupando metade de sua casa", contou Jonas. "Logo de manhã, no vestiário já havia 60 centímetros de água e, na sede, uns 15 centímetros. À tarde, quase um terço de uma das traves estava submersa e meio campo cheio d'água. Além disso, um veículo nosso, que estava em desuso, também foi coberto pela água", contabiliza.

Jonas acrescenta que foi até o vestiário tentar salvar os uniformes, mas não conseguiu retirar todos. "Salvamos só uma parte; agora, é pensar em um modo de nos recuperarmos do prejuízo, já que não temos qualquer reserva financeira".

O caseiro José Raimundo Rodrigues vive com a esposa na casa do clube, e o casal estava desolado com a situação. Ele relatou para a reportagem que a inundação começou ainda de madrugada, pois chovia muito e o rio passa por detrás da casa. De acordo com Jonas, o caseiro é um dos diretores do clube e seu braço direito. "Vamos ver como poderemos ajudá-los", conclui.

Um empresário que possui um galpão no Caminho da Luz também revelou à Tribuna que as chuvas lhe causaram um prejuízo de cerca de
R$ 50 mil. A Estrada do Pimenta também foi alagada. Segundo relatos nas redes sociais, alunos que saíam do Senai só conseguiram fazer o trajeto com a ajuda de caminhões, já que somente veículos grandes trafegavam pelo local.


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