Dengue precisa de mais atenção que zika

Indaiatuba

Dengue precisa de mais atenção que zika

SAÚDE

A questão da dengue, que recentemente foi somada aos surtos de zika vírus e gripe H1N1, tem sido fonte constante de preocupação não apenas em Indaiatuba.

"Apesar do aumento de casos de microcefalia no país, causada pelo zika vírus, a dengue continua sendo a enfermidade mais perigosa, já que atinge maior número de pessoas", avalia o presidente do Conselho Municipal de Saúde (CMS), Luiz Medeiros.

Ele também aponta que tanto autoridades quanto a comunidade científica não estavam preparados para surtos como esses. "Hoje, por exemplo, o zika é um dos assuntos que mais preocupa dirigentes no mundo todo. As autoridades estão completamente perdidas, sem saber que rumo tomar. Muito dinheiro já foi gasto em pesquisas e métodos para minimizar os impactos, mas os números continuam crescendo", ressaltou.

Um dado preocupante, citado por Medeiros, mostra que o caminho para a equação deste problema é longo. "Além da transmissão via hospedeiro (mosquito), o zika vírus pode ser transmitido de um ser humano para outro - pela saliva e pelo ato sexual. Segundo me foi dito por uma cientista, o tempo de incubação é de dez dias; portanto, se a pessoa infectada tiver um contato mais próximo com outro dentro desse período, poderá transmitir o vírus", diz. "É alarmante! A doutora até fez uma comparação, afirmando que estamos vivendo uma praga, similar às do Egito", ilustrou.

Só este ano, foram registrados 162 casos de suspeita de dengue no município que ainda aguardam resultados, além de 17 casos autóctones confirmados e oito importados residentes também já registrados, num total de 25 pacientes.

Entre as gestantes já são quatro com suspeitas de terem contraído o zika vírus. Elas aguardam resultados do Adolfo Lutz e uma já teve resultado negativo.

Já com relação ao H1N1, ainda nenhum caso foi confirmado no ano. Apenas uma suspeita foi registrada, mas descartada pela Saúde, que confirmou para o dia 30 de abril o início da campanha nacional de vacinação.

MI Dengue

No final de março, foram iniciados os testes com a tecnologia MI Dengue, no Jardim Morada do Sol. Trata-se de um método que utiliza armadilhas de captura, utilizando-se um papel colante, onde o Aedes aegypti fica preso, e conta com serviço de monitoramento de vetores (mosquito da dengue) adultos. Os resultados servem para orientar ações de combate da Vigilância Sanitária, da Secretaria de Saúde, que poderá direcionar com mais eficácia seu foco de atuação.

De acordo com Odenir Sanssão Pivetta, responsável pelo Programa de Combate a Dengue da Vigilância e responsável por trazer o novo método para a cidade, foram instaladas 53 armadilhas, em locais abertos, e todas foram monitoradas. "Elas foram previamente identificadas via GPS e o monitoramento foi através de mensagens de texto", explicou. "Estamos muitos satisfeitos com o MI Dengue, e já conseguimos mapear áreas no Morada do Sol, onde iremos trabalhar no próximo sábado".

Ele também reforçou que a escolha do Morada do Sol ocorreu em virtude do bairro estar localizado em um ponto estratégico. "Conforme o êxito do projeto, levaremos a tecnologia para outros pontos da cidade e, assim, esperamos reduzir os casos da doença", completou.

Os testes serão feitos durante um ano e abrangem as áreas do São Conrado e Teotônio Vilella, entre as avenidas Ário Barnabé e Engenheiro Fábio Barnabé, além das ruas Martinho Lutero e João Moraes, no Parque Corolla. Nesse período, cada residência participante receberá a visita semanal de um agente de saúde. A armadilha não possui substâncias tóxicas e nem altera a rotina dos moradores.


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