Indaiatuba

Pacientes sofrem para encontrar leitos

Faltam vagas nos leitos hospitalares em Indaiatuba. A constatação veio através de um caso ocorrido no final da semana passada, quando uma paciente idosa tentou, sem sucesso, internação em dois hospitais. Por fim, ela só conseguiu receber atendimento em Campinas.

"No dia 28 de abril, minha mãe passou mal e tivemos de providenciar a internação", lembra Marcos Botero, filho da paciente. "Por isso, chamamos a ambulância e eles tentaram vaga no Hospital Santa Ignês e no Augusto Oliveira Camargo (Haoc); foi então que ela foi levada para Campinas, onde finalmente conseguimos um leito".

Marcos conta que, há cerca de um ano, a mãe, Aparecida Botero, de 86 anos, sofreu um acidente e feriu a cabeça, o que acabou lhe deixando sequelas. "Ela necessita de cuidados 24 horas, pois não interage com ninguém e não consegue fazer nada sozinha. Por causa disso, nós montamos uma estrutura em casa, onde ela pode contar com enfermeira e pessoas da família que auxiliam nos cuidados", acrescenta.

Ele reforça que, mesmo se tratando de internação particular, já que a família possui convênio, não conseguiu manter a mãe em tratamento no município. "Eles alegam que não há leitos. Conversei com a assistente social do Haoc, e até pedi uma intervenção de um vereador; mas, mesmo assim, não conseguimos", lamenta Marcos. "Se ela estivesse aqui na cidade, seria bem mais fácil nos revezarmos no acompanhamento dela", emenda.

O filho da paciente lembra ainda que tentou algumas vezes a transferência para Indaiatuba. "Falei com o pessoal do hospital de Campinas, e eles entraram em contato com o Haoc, mas ainda não vagou nenhum leito durante a semana", explica.

Até a tarde de ontem, o quadro de Aparecida estava estável. "O médico disse que até a próxima terça-feira pretende dar alta a ela. Agora, nem é mais necessário transferi-la para cá, já que dentro de alguns dias ela estará em casa", conclui Marcos.

Rotatividade

O caso da idosa traz à tona uma questão delicada, que é a falta de leitos no município, assim como em outras cidades da região, mesmo para pacientes que têm condições de pagar um convênio médico.

Sobre a situação, a assessoria do Haoc divulgou uma nota esclarecendo que existe hoje uma rotatividade diária de internações, ou seja, os pacientes que recebem alta imediatamente dão lugar a outros que necessitam ser internados. O hospital lembra também que, com o início das atividades no novo prédio, os impactos serão minimizados, já que haverá maior oferta de leitos.

Procurada pela Tribuna, a responsável pela administração do Hospital Santa Ignês não havia respondido aos questionamentos até o fechamento desta edição.

Estadual

Em junho de 2013, o vereador Bruno Ganem (PV) criou na rede social um evento que solicitava a construção de um hospital público estadual em Indaiatuba. Conforme ele mesmo já explicava na ocasião, a medida visa solucionar o problema estrutural da saúde no município. "A falta de médicos decorre de uma administração incompatível, com uma remuneração incompatível. Um hospital público estadual, com gestão do Estado, teria uma estrutura adequada de pessoal, incluindo médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, equipe de limpeza etc", garante o vereador.

Por outro lado, como já disse inúmeras vezes à Tribuna, o deputado estadual Rogério Nogueira (DEM) lamenta a falta de oportunidade de um hospital estadual no município. Segundo ele explica, a construção de um hospital não é o problema, mas sim sua manutenção, que fica na ordem de milhões de reais ao mês. "E também, a cidade precisa de uma estrutura para receber não só os pacientes, mas seus familiares, principalmente em casos de internações", ressaltou. "Os municípios não têm condições de arcar com esses altos custos".


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