Indaiatuba

Metalúrgicos esperam pela revisão de dissídio em empresa

A Tribuna recebeu a informação de que uma indústria metalúrgica no município não efetuou o pagamento integral do dissídio. Segundo relato, foram antecipados apenas 2,9%, em setembro de 2015, e o aumento não cobriu a inflação, que fechou o ano em 10,67%.

"Eles anteciparam o dissídio, mas não adiantou muito, porque a inflação continua bem mais alta", lamenta um antigo funcionário, que não quer seu nome divulgado. "Conforme o acordo, ainda faltaram 6%. O pior é que não tem previsão de quando vão pagar o restante".

O trabalhador, agora desempregado, disse que foi até o Sindicato dos Metalúrgicos para saber se já haveria um prazo para a liberação do restante devido, mas foi informado de que isso poderia demorar. "O Ministério do Trabalho orienta que esperemos, e que o prazo de negociação com a empresa pode levar até dois anos. Este também é o tempo que nós temos para fazer a reclamação".

Ele fala ainda que foi demitido, mas que desconhece a razão. "Além de mim, outros três foram mandados embora. Desconfio que seja porque tenhamos tomado a frente no assunto do dissídio", sugere o homem. "Isso nós nunca vamos saber ao certo; acho que o jeito é esperar mesmo", lamenta.

Mobilização

Procurada pela reportagem, a empresa declarou que o restante do valor não foi pago porque o sindicato não homologou o valor. "Normalmente o dissídio é atrasado, mas nós antecipamos. Inclusive, todos os funcionários e ex-funcionários estão cientes disso. Assim que o sindicato liberar o valor, nós faremos os depósitos", disse a representante do RH da metalúrgica.

João Miranda, membro da diretoria da regional de Indaiatuba do Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas lembra que a data-base do dissídio dos metalúrgicos é o dia 1º de setembro, porém, em 2015 não houve acordo patronal. "Tentamos um acordo com as empresas, mas não deu certo, então rompemos e passamos a negociar com cada uma separadamente", conta. "No caso específico desta metalúrgica, que atua no ramo de estamparia, fomos até mesmo mal recebidos. O diretor não se mostra favorável a qualquer tipo de negociação e se mostrou até mesmo agressivo conosco", revela.

"Agora, estamos discutindo com os trabalhadores para tentarmos uma mobilização,considerando até uma paralisação para pressionar a empresa. Já conseguimos apoio de mais da metade deles, afinal, logo vence a data do próximo dissídio e corremos o risco de não termos negociado o do ano passado", aponta Miranda.

IBGE

O aumento pago aos metalúrgicos ficou abaixo da inflação, que fechou 2015 em 10,67%. Este ano, de janeiro a abril, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou um avanço de 3,25% e, em 12 meses, a inflação acumulou em 9,28%. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a alta foi influenciada por reajustes de preços de alimentos e remédios.

Na última sexta-feira, o IBGE também divulgou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que registrou até abril o percentual de 3,58%; e 9,83% no acumulado de 12 meses. (Adriana Brumer Lourencini)


Fonte:


Notícias relevantes: