Indaiatuba

Energia fotovoltaica é alternativa para produção de energia limpa

ENERGIA RENOVÁVEL

Pensar na luz do sol, nos raios que refletem por todo o continente terrestre e na possibilidade da transformação de tudo isso em energia já é rotina em alguns países desenvolvidos como é o caso da Alemanha, China e Japão. A energia fotovoltaica, energia elétrica produzida a partir de luz solar, durante muito tempo foi considerada um sonho no Brasil, mas que já é uma realidade e dá sequência à série de reportagens da Tribuna sobre o Meio Ambiente.

Mesmo com uma produção bastante tímida, cerca de 0,02% das energias renováveis no Brasil, existe uma previsão, por meio do plano decenal do Ministério de Minas e Energia, que até 2024 a produção passará para 3,5%. Já a estimativa da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) prevê que até 2050, 13% de todo o abastecimento das residências no País seja feita pelas placas fotovoltaicas que aproveitam a energia solar.

Se por um lado a produção no Brasil está bastante restrita mesmo sendo um país tropical e que o sol se faz presente em algumas regiões durante quase todo o ano, por outro lado a Alemanha, juntamente com a China, lideram a produção de energia fotovoltaica. De acordo com dados da agência federal Fraunhofer ISE, a Alemanha tembatido recordes mundiais de produção de energia solar e em 2014 a capacidade era de 38,24 gigawatts de eletricidade usando apenas a luz do sol. A capacidade instalada de energia solar fotovoltaica alemã instalada desse mesmo ano era de 40 gigawatts. Esse dado representa quase a produção da usina de Itaipu durante o ano, segundo Nilson Sarti, presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção.

O Brasil é um dos poucos países no mundo que recebe uma insolação (numero de horas de brilho do Sol) superior a 3 mil horas por ano, um dos mais altos do mundo. A região nordeste do Brasil, por estar ainda mais próxima da linha do Equador que as demais, é a que possui maior área de radiação solar e também aonde ela é mais eficaz, variando entre 5.700 e 6.100 Wh/m² por dia. Tais dados já destacam o país com relação ao resto do mundo no que se refere ao potencial solar.

A pesquisa Resenha Enérgica Brasileira de 2016, documento organizado pelo Ministério de Minas e Energias, aponta as vantagens comparativas do Brasil na oferta de energia elétrica, com uma proporção de 75,5% de renováveis. Nos países desenvolvidos, o indicador é de 23,1%, e nos demais países, 22,5%.

Os dados do Ministério de Minas e Energia apontam que em 2018, o Brasil deverá estar entre os 20 países com maior geração de energia solar, considerando-se a potência já contratada (2,6 GW) e a escala da expansão dos demais países. Segundo os dados da Agência Internacional de Energia (IEA), a energia solar poderá responder por cerca de 11% da oferta mundial de energia elétrica em 2050 (5 mil TWh). A área coberta por painéis fotovoltaicos capaz de gerar essa energia é de 8 mil km², o equivalente a um quadrado de 90 km de lado (quase uma vez e meia a área do Distrito Federal).

Mesmo sendo considerado uma potência em relação à produção de energia fotovoltaica, o Brasil ainda está bastante atrasado com relação ao restante do mundo. "É incabível que o Brasil esteja atrás na produção dessa energia. O nosso pior sol aqui é o melhor sol da Alemanha. O que falta é investimento na área, produção dos próprios materiais para a instalação dos equipamentos e incentivo governamental", afirma José Luiz Chagas Quirino, o diretor e professor do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) Indaiatuba.

Planejamento

Ainda existem estudos para o planejamento do setor elétrico. Em 2050, estimam que 18% dos domicílios no Brasil contarão com geração fotovoltaica (8,6 TWh), ou 13% da demanda total de eletricidade residencial.

As fontes de energias renováveis no Brasil são: biomassa em que se utiliza matéria de origem vegetal para produzir energia, como o bagaço da cana; energia solar em que são utilizados os raios solares para gerar energia; energia eólica, que é aquela gerada por meio da força do vento captado por aerogeradores; e etanol, produzido principalmente a partir da cana-de-açúcar.

O professor Quirino afirma que hoje cerca de 70% da nossa energia é advinda de hidrelétricas. "Temos ainda uma porcentagem grande de energia térmica, por volta de 25%. O restante dividido entre eólica, que está crescendo bastante, e biomassa". De acordo com o diretor, a tendência, é diminuir a energia térmica, diminuir também a hidrelétrica e aumentar a utilização das fontes renováveis, principalmente a eólica e fotovoltaica.


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