Indaiatuba

Drogadição e dificuldade com a alta complexidade são principais causas

O secretário municipal de Saúde, José Roberto Stefani, afirma que a mortalidade infantil no município é preocupante e aponta algumas das principais causas da oscilação no número de mortes de crianças até um ano de idade. "Este é um tema que estamos discutindo muito. O coeficiente da mortalidade no município varia entre 9 até 12. Tem vários aspectos que caracterizam esta oscilação. Um deles é o comportamento da cidade, em que Indaiatuba está crescendo muito e tem alguns problemas sociais, e o mais grave que vejo sempre é a drogadição, que foi o motivo da implantação do Programa Viver", lembra. "Outro fator importante são as pessoas que veem de fora devido o caos da saúde. Algumas gestantes acabam vindo para a cidade porque estamos em uma situação melhor e quando vêm é porque têm um problema, deram a luz e voltam embora, mas descobrimos isso no pós-natal".

Além das drogas que afetam o feto, muitas dessas gestantes que são usuárias contraem sífilis até quatro vezes durante gravidez, ou se contaminam com hepatite, Aids e demais infecções. "Com essas usuárias, fazemos um acompanhamento e, em conjunto com o apoio do Centro de Atenção Psicossocial em Álcool e Drogas (Caps) de Indaiatuba, tentamos reduzir estes danos, mas essas mulheres têm livre arbítrio e, muitas vezes, somem no pré-natal", pondera Stefani.

Drama na Saúde

O secretário afirma que outro fator importante é o fluxo dos pacientes. "Indaiatuba sempre foi uma cidade voltada para o atendimento da média e baixa complexidade. Para tratar a alta complexidade, sempre dependemos de Campinas, São Paulo e outros centros maiores. Com a crise, se fecharam as portas para estes outros serviços", aponta. "Um exemplo é o hospital Beneficência Portuguesa, que, em 2014, reduziu em 50% as vagas para os pacientes cardiopatas da região; em Campinas fechou o hospital Coração de Jesus, que tinha uma maternidade com atendimento grande, e o Álvaro Ribeiro, que era um hospital pediátrico", cita. "Nada abriu no lugar depois disso, a cidade de Campinas cresceu e os municípios vizinhos também, e continuamos apenas com a maternidade de alta complexidade da Pucc e Unicmap. Com isso, observamos que falta um reajuste e planejamento para a Região Metropolitana de Campinas [RMC], e isso é de muitos anos", avalia Stefani.

Outro drama para Stefani é com a UTI pediátrica. "O hospital Ouro Verde e o Mário Gatti fazem o que podem para tentar cobrir isso. Então, todos esses aspectos culminaram com esta dificuldade nossa e, com isso, o índice de mortalidade oscila", lamenta Stefani. "Fora isso, tem a nossa situação local, que é o desenvolvimento da nossa capacidade de atender a complexidade maior. Então, reestruturamos uma serie de ações e temos representantes do conselho de saúde para analisar este quadro e ver no que podemos melhorar; também trouxe uma médica para fazer o acompanhamento horizontal com as gestantes, de segunda a sexta-feira, no Hospital Augusto de Oliveira Camargo (Haoc), além de uma série de ações, desde o cartão do pré-natal, a exames de urina, urocultura, então tudo isso estamos agregando para melhorar o pré-natal e tentar atender da melhor maneira possível a população e diminuir esta mortalidade infantil", ressalta o secretário.

Análise

Para reduzir esta taxa de mortalidade, a Pasta também tem uma reunião mensal com o comitê de mortalidade, onde analisa em conjunto tudo o que foi feito e que se deve fazer. "A medicina evoluiu bastante e hoje temos 14 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) na cidade, mas o fato de não termos abrangência no tratamento de alta complexidade nos preocupa, mas estamos trabalhando para melhorar isso, como exemplo a reformulação do pronto-socorro do Haoc, a construção do novo hospital, o novo centro obstétrico, que está para inaugurar. Mas dependemos do Estado, e frente à crise acabamos tendo dificuldades e não temos a garantia de que um bebê cardiopata, por exemplo, vai conseguir o tratamento efetivo em tempo hábil", enfatiza Stefani.


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