Indaiatuba

Projeto ainda é desconhecido de muitos

MORADIA

O projeto João de Barro, desenvolvido pela Secretaria de Planejamento Urbano e Engenharia, tem como meta recuperar imóveis em situação precária e localizados em locais insalubres ou de risco. Criado pela Lei Municipal nº 6.266, de março de 2014, as obras de reforma tiveram início, mas muitos moradores de regiões carentes ainda não sabem como se inscrever no programa.

"Eu nem sabia que existia este projeto", comenta a aposentada Clarice Santana, 65 anos, que mora há 24 anos no Jardim Tancredo Neves. A residência dela está em situação bastante precária, principalmente devido à intensa umidade que já tomou conta de quase todos os cômodos. "Já perdi três guarda-roupas por conta da água que entra em casa; no banheiro, nem podemos colocar lâmpada, e improvisamos com este fio com a luz, que ligamos na tomada", conta ela, apontando para a iluminação improvisada.

Clarice é viúva e mora com o filho, o jardineiro Luís Santana, de 42 anos. "Ele passou por uma cirurgia nos pulmões, pois teve derrame pleural, e não consegue mais dormir no próprio quarto, por causa do cheiro forte de umidade. O único lugar onde não chove é a sala e o meu maior medo é que o forro da casa caia", ressalta a mãe, preocupada.

A Tribuna esteve no local e conferiu de perto as dificuldades enfrentadas pela pequena família. Nos quartos da mãe e do filho, assim como no único banheiro da casa, o odor de umidade e mofo incomoda bastante; inclusive, o forro do quarto de Luís está deteriorado devido às constantes infiltrações. "Ele tem dormido no sofá da sala, pois não consegue respirar direito. Acho que esse problema nos pulmões que ele teve foi por causa da umidade", opina Clarice. 

Alerta

As paredes da casa estão escuras e apresentam rachaduras em alguns pontos. Na parte externa, pode-se ver também um pouco da fiação elétrica. "Nós recebemos contas de luz muito altas, porque com a cirurgia do Luís, tive que comprar remédios e acabei deixando acumular cinco meses de atraso. Então, fui até a Prefeitura e parcelei o valor, que foi de R$ 1,3 mil", completa Clarice.

A dona de casa acredita que o alto custo da energia seja em virtude das infiltrações no imóvel. "As paredes estão rachando e os fios devem estar encharcados. O jeito foi conseguir empréstimo para pagar as contas de luz e agora recebo só R$ 200", diz ela. O filho, recém-operado, não pode trabalhar desde março e não conta com nenhum benefício, pois é autônomo. "De vez em quando as pessoas ajudam com um pacote de arroz, leite e outros mantimentos, e a gente vai se virando", explica Clarice.

Consultada, a CPFL Piratininga esclareceu, por meio de assessoria de comunicação, que a umidade na residência não ocasiona fuga de energia; o ideal é que um eletricista vá até o local para identificar provável falha interna na fiação. Em caso de desconfiança de problemas, a concessionária orienta retirar todos os equipamentos elétricos da tomada e verificar se o relógio externo continua girando. Em caso positivo, há escape de energia em algum ponto da fiação.

Beneficiários

Para se beneficiarem do João de Barro, o proprietário ou possuidor do imóvel deverá ser proprietário ou possuidor de um único imóvel, e que o mesmo seja utilizado como residência própria e de sua família há mais de dois anos; ter renda familiar não superior a três salários mínimos, ou per capita de até meio salário mínimo nacional; não ser integrante de família beneficiada anteriormente com o projeto.

A secretaria orienta Clarice a procurar a Secretaria de Habitação e efetuar o cadastro no projeto. Após cadastro e triagem feitos pela assistente social, a planta da casa é regularizada por meio do Pró-

Cidadão, que é um dos requisitos exigidos, para, em seguida, ser encaminhada para o Planejamento Urbano e posterior vistoria e laudo técnico.

O projeto João de Barro define as obras de recuperação, que compreendem recomposição de alvenaria; obras de instalações prediais nos sanitários e cozinha, incluindo tubulações; parte elétrica; fechamentos ou aberturas de vãos; recomposição de argamassa; adequação de acessibilidade dos ocupantes com mobilidade reduzida; colocação, recomposição, substituição, retirada ou recuperação de revestimentos que estejam colocando em risco os moradores e substituição ou recomposição de esquadrias, portas, janelas, alambrados, vitrais, peitoris, beirais, grades, entre outros.


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