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Protetores criam alternativas a cães de rua

ALTERNATIVA

Na edição da semana passada, a Tribuna divulgou a iniciativa de uma veterinária campineira, que busca proteger do frio os animais de rua. Em entrevista, Paula Medina explica em detalhes a ideia que ela espalhou nas redes sociais.

Com o título 'Eu também tenho frio, e não quero morrer na rua. Abra a porta do seu coração e me deixe dormir esta noite na sua casa ou garagem', a veterinária tenta sensibilizar as pessoas para a hipotermia, que reduz drasticamente a temperatura corporal dos animais que passam as noites nas ruas. "A iniciativa surgiu por causa de um casal amigo que dormiu no carro por quase dez dias por causa de três cães de rua. Conversei com uma amiga jornalista para ver a melhor forma de colocar a ideia em prática", revela Medina.

Questionada se os cães realmente sentem frio, já que possuem a pelagem como proteção natural, ela garante que sim. "É um engano pensar dessa forma. Cães da raças oriundas de clima frio, como o husk siberiano, malamute (do Alasca), akita, chow-chow, entre outras, são bem resistentes às baixas temperaturas. Porém, os animais de pelo curto são super sensíveis ao frio, que pode levá-los à hipotermia", destaca.

Ela acrescenta que os cães mais idosos têm sofrimento redobrado. "Eles sentem dores articulares, nos casos de artrites e artroses, independente do tamanho do pelo; além disso, as cadelas prenhes (e os cães de rua em geral) não possuem alimentação adequada, o que compromete seu sistema imunológico, abrindo portas para pneumonia e outras doenças", afirma Medina.

Fisgados

Em breve pesquisa junto aos simpatizantes da causa animal, outro questionamento veio à tona: e se o animal se recusar a sair do quintal no dia seguinte? Medina tem a resposta imediata: "Basta atrai-lo para fora com um petisco, ou apenas sair para dar uma volta com o novo amigo", esclarece.

Caso o bichinho fique choramingando no portão da casa, a veterinária lembra que os cachorros são facilmente adestráveis, e que aprendem rapidamente. "Assim que ele perceber que não tem acesso à água e comida durante o dia, ele vai parar de chorar. Entretanto, qualquer pessoa pode disponibilizar esses recursos para o animal ali mesmo, na calçada", aponta Medina.

Caso o morador queira ajudar, mas possua outros animais na casa, a veterinária ensina que a pessoa deve tentar aproximá-los. "Se isso não for possível, a alternativa é manter o seu animal na parte interna da residência, ou deixar o cão de rua em um espaço separado".

Há ainda outro fato corriqueiro: o hóspede temporário se tornar o novo cão da casa. "Há muitos casos de pessoas que se apegaram aos animais e acabaram os adotando", comenta a protetora animal Ana Cavalcanti. "Afinal, sempre tem aquele que 'escolhe' a gente, e aí não tem mais jeito, somos fisgados definitivamente", brinca.


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