Indaiatuba

Pai do prefeito foi preso com outros quatro empresários

O pai do prefeito licenciado Reinaldo Nogueira (PMDB), Leonício Lopes Cruz, foi preso preventivamente na manhã da última quarta, dia 22, em ação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público (MP), com apoio do Batalhão de Ações Especiais da Polícia Militar (Baep). Também foram detidos os empresários Josué Eraldo da Silva, da Jacitara Holding, seu irmão Rogério Soares da Silva, e Camila e Adma Galacci, da incorporadora Bela Vista. Todos foram citados por envolvimento em esquema de fraude de desapropriações.

Em coletiva de imprensa em sua sede em Campinas, ainda na manhã de quarta, representantes do Ministério Público falaram sobre a ação, que resultou na apreensão de R$ 27.182, 800 dólares, 890 euros e 32 folhas de cheques em valores diversos não contabilizados, além de sete carros de luxo e três motocicletas.

Antes de falar sobre a operação, os promotores não quiseram falar nada sobre o envolvimento do prefeito Reinaldo Nogueira (PMDB), que seria preso preventivamente no dia seguinte. Segundo o 5º promotor de Justiça de Indaiatuba, Michel Romano, a investigação tem três desdobramentos: lavagem de dinheiro, organização criminosa e desvio de dinheiro público.

"O Ministério Público do Estado de São Paulo, por meio da Promotoria de Justiça de Indaiatuba, desencadeou cumprimento de diligências, de ordens judiciais, de cinco mandados de prisão e seis de busca e apreensão com determinação de arresto e apreensão de bens em Indaiatuba", destacou Romano. Todos os mandados foram cumpridos com êxito, sem nenhuma resistência.

A ação desta manhã foi conduzida pelo Coronel Coelho, do Baep, e um total de 50 homens participaram da operação. "Esta ação nasceu da investigação da Promotoria de Justiça de Indaiatuba em relação a uma desapropriação que desencadeou uma operação em outubro de 2015. Ninguém saberia se aprenderíamos documentos ou dinheiro, mas precisávamos aprofundar aquela investigação, até porque ela já tramitava no Tribunal de Justiça, que determinou as diligências".

Quando acabaram as diligências, toda a documentação foi transferida para a Promotoria de Justiça de Indaiatuba, para ação civil pela prática de ato de improbidade administrativa. Foi então que o promotor ingressou com ação civil pública com pedido de indisponibilidade de bens. A investigação envolve ainda a quebra de sigilo bancário, fiscal e escutas telefônicas. "A ação em 5 de outubro foi o início de um procedimento: documentos foram apreendidos e investigações iniciadas e hoje podemos dizer que é a primeira fase de uma operação".

Objetivo

Romano explica o objetivo da investigação. "A questão não é apenas o valor da desapropriação, mas a destinação deste dinheiro. Isso é o que mais nos interessa", afirmou, sem dar detalhes, por questões privadas. "Denúncia criminal só se mantém em segredo de Justiça por causa das movimentações bancárias e isso pode cair nos próximos dias. Enquanto isso não ocorrer, preferimos ter cautela". As investigações aconteceram de julho de 2013 a outubro de 2015.

Motivo

Ainda segundo o promotor, a investigação se resume à desapropriação de um único terreno, devido ao alto valor envolvido, em torno dos R$ 10 milhões. "Na ação civil pública, pedimos a indisponibilidade dos bens e não tivemos muito sucesso. Então o arresto serve justamente para isso. Nossa função é retornarmos o dinheiro à sociedade", aponta. "Há possibilidade de novas prisões; nós teremos outras fases em razão dos documentos que foram apreendidos", ressalta Romano. "Temos oito ou nove meses de escuta telefônica e existiram vários fatos que foram desmembrados, mas o que vai ocorrer, não conseguimos antecipar, nem quais serão as empresas atingidas".

Prisões

Camila e Adma Galacci foram levadas para Paulínia; Rogério e Josué estão no 2º DP de Campinas; Leonício foi para o presídio de Araraquara e Reinaldo foi para Tremembé.


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