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Indaiatubana fala sobre a Turquia após tentativa de golpe

TURQUIA

Na sexta-feira passada, dia 15, a Turquia passou por momentos de tensão quando um grupo de insurgentes turcos realizaram uma tentativa de golpe contra o presidente Recep Tayyip Erdogan. A ação deixou 312 mortos e 1,5 mil pessoas ficaram feridas, segundo informações oficiais.

Uma semana após a tentativa de golpe, cerca de 55 mil pessoas, entre eles policiais e professores, foram suspensos de suas funções, ou demitidos, e mais de nove mil suspeitos foram presos, de acordo com balanço da Agência France-Presse (AFP). Além disso, na quinta-feira, dia 21, entrou em vigor o estado de emergência por três meses, anunciado por Erdogan.

Os principais confrontos da tentativa de golpe aconteceram em Ancara e em Istambul. No entanto, toda a Turquia ficou apreensiva. Na segunda-feira, dia 18, a reportagem entrou em contato com a ex-jornalista da Tribuna, Jéssica Santana, de 25 anos, que mora há 45 dias em Antalya, cidade que fica a 482 km de Ancara e 678,8 km de Istambul. Jéssica contou como foi a movimentação no dia da tentativa de golpe e como está clima dos turcos uma semana depois.

A jornalista tomou conhecimento dos confrontos por meio da imprensa turca. “Fiquei sabendo pela TV, enquanto jantava num restaurante aqui em Antalya com meu namorado. Eram mais ou menos 23h da sexta. De repente o restaurante desligou a música de fundo e a CNN começou a noticiar o golpe. Todo mundo parou para prestar atenção”, relembra. “A primeira reação de todos foi ir para casa (pelo menos na avenida de bares e restaurantes que eu estava). Fizemos o mesmo para poder assistir com calma na TV o que estava acontecendo e, em uma hora, meu namorado, que é nativo, me disse que a coisa estava feia e que precisávamos sair para comprar gasolina e alguns alimentos", prossegue. "Decretaram Lei Marcial, então as pessoas não sabiam como seria nos próximos dias, por isso acharam melhor estocar alguns suplementos de 'sobrevivência'. As filas eram gigantes e levamos 40 minutos para abastecer o carro e mais 30 minutos na fila do caixa eletrônico".

Jéssica afirma que não chegou a ter medo, mas ficou apreensiva. “Fiquei mais apreensiva pelo problema com o idioma e com o que a minha família estaria pensando naquele momento no Brasil. Eu não sabia até onde isso afetaria minha estadia aqui e a vida da “minha família turca” no geral. Assistimos TV até as 6h do sábado para entender a situação e ver no que daria. E eu dependendo da tradução do meu namorado e das notícias em inglês e português na internet”.

Reações

A indaiatubana também contou qual foi a reação da população turca diante do golpe. “Como foi visto, a população foi para as ruas quando o presidente pediu que lutassem pela democracia e o golpe não foi adiante. Assim como no Brasil, tem quem apoie e tem quem odeie o governo. Acredito que seja de 50% a aceitação do governo por aqui", compara. "Mas, com certeza, não concordaram com a tomada militar e, por isso, o golpe foi tão curto”, diz. “O que posso dizer, com certeza, é que os apoiadores do governo (democracia) não tiveram medo de ir às ruas em Istambul e Ancara. Em Antalya, as pessoas são mais contidas, esperaram o desenrolar da história. Onde eu moro, na sexta e madrugada do sábado as pessoas não foram às ruas", continua a jornalista. "Havia discussões sobre nas filas dos lugares que falei, mas nada explícito. No sábado, dia 16, à noite, algumas pessoas estavam em Kaleiçi (centro) com bandeiras quando passei por lá, mas nada muito grande ou tumultuado”, recorda.

Após a tentativa de golpe, a jornalista conta que a rotina voltou ao normal. “Em Antalya a vida seguiu. Percebo que as pessoas evitam falar sobre para não se meterem em problemas, talvez. Agora, o governo decretou três meses de estado de emergência e uma série de medidas foram e vão ser tomadas. Eu não sei até que ponto isso vai beneficiar ou tornar a vida aqui ruim”, completa.

 

Mídia

Jessica também contou à Tribuna como a mídia do país tratou a tentativa de golpe. “A mídia aqui, na última sexta e sábado, noticiou 24h sobre o assunto. Inclusive com transmissões ao vivo quando os soldados invadiam os canais (os do governo e também os livres). Até hoje ainda vejo algumas matérias especiais e infelizmente a cobertura dos velórios dos civis e oficiais mortos. Muito triste! A televisão é o maior comunicador aqui, pelo que tenho percebido", comenta. "Na data, muitas pessoas fizeram transmissões pelo aplicativo Periscope; mesmo quando a internet deu uma caída era possível acompanhar vídeos de Istambul e Ancara, inclusive mostrando mortos e feridos”, lamenta.


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