Indaiatuba

Prefeito e empresário eram líderes do grupo

JULGAMENTO

Os inquéritos do Ministério Público apontam o prefeito e o empresário Josué Eraldo da Silva na liderança do grupo. Segundo consta nos autos, "a organização é dotada de hierarquia estabelecida, duradoura, bem como caracterizada pela minuciosa divisão de tarefas". Josué e Reinaldo "são os mentores intelectuais e responsáveis pela administração, ao passo que Leonício é procurador do filho, o prefeito Reinaldo". Adma e Camila Gallaci emprestavam os nomes para constar dos atos jurídicos e, por isso, são consideradas as "laranjas" do esquema. Rogério, por sua vez, "executava diversas tarefas relativas à comunicação entre os integrantes da organização, bem como fazia saques, transporte e entrega de valores".

Em ação subscrita pelos promotores Michel Romano, Carlos Eduardo Ayres de Farias, José Claudio Tadeu Baglio, Jandir Moura Torres Neto e Daniel Zulian, é apontada a reiteração delitiva, já que, por mais de dois anos, o grupo praticou repetidos atos criminosos.



O esquema

O pedido de prisão foi embasado pelos "repetidos atos de lavagem de ativos ilícitos", que causaram, somente com essa desapropriação em questão, um dano de R$ 9.997.000 aos cofres públicos.

O esquema começou quando Leonício comprou um terreno por R$ 450 mil, em 2004, e, depois, o passou para o nome de Adma.

Em 22 de novembro de 2013, o prefeito editou decreto para tornar de utilidade pública a área. Pouco depois, em dezembro do mesmo ano, Adma e Camila constituíram a empresa Bela Vista, com o mesmo endereço da Layout (que era de propriedade de Reinaldo Nogueira e Rogério Soares da Silva, fechada cerca de um mês antes da criação da Bela Vista). "Apurou-se que a Bela Vista foi constituída para ser uma empresa de fachada, criada única e exclusivamente, para receber e distribuir o valor de" quase R$ 10 milhões deste negócio.

Em fevereiro de 2014, o prefeito emitiu, então, o cheque de R$ 9.997.000 em nome da Bela Vista, pagando pelo terreno que, agora, era de propriedade da empresa.

"Com o propósito de ocultar e dissimular a origem dos valores desviados ilicitamente do município", como prossegue o inquérito, Rogério realizou "transferência eletrônicas de valores em dinheiro em favor da Jacitara", num total de R$ 7.072.223,07, "bem como para as empresas Mardin, Ampla e Hacoy", que também foram beneficiadas no esquema.

O promotor Michel Ro- mano ainda ressalta que o Município perdeu, pelo menos R$ 3 milhões somente pela alteração do zoneamento da área, que passou de zona rural para industrial somente visando lucro na desapropriação.

Há notificações de transferências de valores para várias outras empresas coordenadas pelos membros da organização, como a Villagio de Montalcino de Vinhedo, que tem na sociedade, além de Josué, a RN Empreendimentos, que é de posse do prefeito Reinaldo.

Posteriormente, também há registro de crédito para a empresa Paraíso do Sol, administrada pela família de Leonício, pai do prefeito.


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