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Economia começa a apresentar primeiros sinais de recuperação

ECONOMIA

Com a proximidade do fim do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff (PT), surge a possibilidade de melhora nas expectativas em relação à economia. Segundo especialistas, o cenário começa a sentir algumas mudanças, porém, elas devem ocorrer somente a longo prazo.

Segundo Sidmar Faveri de Oliveira, professor de Economia da Faculdade Max Planck, o mercado se mostra favorável para uma possível virada na economia, porém, indica que, no momento, existem muitas expectativas que anseiam pelo rápido desfecho do julgamento do impeachment, que deve colocar um ponto final na crise política. "O empresariado sempre se coloca em posição defensiva nas adversidades políticas, ao mesmo tempo em que sempre busca olhar de forma otimista para o futuro. Para os investidores do mercado de capital, ainda temos outras questões que interferem em suas decisões, além da definição da política nacional, assim como as de outros países", considera.

Otimismo

O cientista político Rogério Baptistini, por sua vez, vê sinais tímidos da recuperação do otimismo. "Isso é importante, mas não é tudo; a conjuntura ainda é crítica e isso se reflete no desemprego, na queda dos investimentos e no agravamento da questão social", comenta.

Para ele, o maior desafio de Temer será o enfrentamento da crise fiscal e a recuperação da confiança do País. "A tarefa é árdua, pois as ações implicam na adoção de medidas que podem se revelar impopulares, como o aumento de impostos, a reforma da Previdência e alteração de direitos trabalhistas", avalia Basptistini.

Sobre o otimismo do mercado, ambos são unânimes em afirmar que não existe excesso, mas sim, expectativas positivas. "Somos avessos ao risco e, ao menor sinal de desequilíbrio, simplesmente não movimentamos nossa economia de forma eficiente. A nossa sociedade anseia pelo rápido desfecho político independentemente de quem ganha e, enquanto isso não acontece, resta o otimismo para manter a inércia dos negócios. Como o pessimismo nunca é bem visto, o empresariado prefere não levar em consideração este cenário", acrescenta e completa: "Ele sempre acredita, basta apenas se sentir confortável".

Para Baptistini, há também muita expectativa. "Todos os atores do cenário nacional aguardam o desenrolar do drama do impeachment", destaca. "O ano se encaminha para o seu final e é pouco provável uma recuperação significativa da economia. Acredito que seja prudente trabalharmos com um prazo um pouco mais dilatado e esperar que 2017 seja um ano de retomada, desde que o governo saiba construir um consenso mínimo em torno do destino do país. Agora, a política passa a ser ainda mais fundamental e as lideranças serão testadas", completa.

Controle

Enquanto o impeachment não é decidido, os especialistas indicam maior cautela com o dinheiro. "Cautela significa ter paciência, muita calma é sempre oportuna. No que diz respeito às finanças, nossos cidadãos inicialmente devem administrar de forma eficiente seus gastos, para que não comprometam a totalidade de sua renda. Como vivemos um período de incertezas, é sempre bom estar preparado para futuras adversidades", orienta Oliveira. Já o cientista político complementa reiterando que, em momentos de crise, é importante agir com discernimento e prudência.

Investimento

Atualmente, as melhores alternativas de investimentos se encontram em meios mais conservadores, conforme analisa Oliveira. "No que diz respeito a papéis financeiros, o Tesouro Direto tem boas opções. Para quem conta com uma boa reserva financeira, o setor imobiliário começa a ter excelentes opções de compra, mas ainda se mostra incerto para os que possuem imóveis à venda. A renovação de pensamento e a criação de novas vertentes de trabalho estão começando a surtir efeito; romper paradigmas e inovar pode ser uma boa saída para a crise", salienta o professor.

Para Baptistini, no entanto, a maioria da população não possui alternativas de investimento, apenas a sobrevivência à crise.


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