Indaiatuba

Com boletim de ocorrência, casos são distribuídos aos setores

Após realizado o boletim de ocorrência na Delegacia de Defesa da Mulher ou até mesmo ter recebido o atendimento pelo Conselho Tutelar da cidade, os casos são distribuídos para os setores de competência no sentido de auxiliar tanto a vítima quanto à família.

No Creas, é feito o acolhimento e realizado, primeiramente, um plano de acompanhamento familiar pelos técnicos. "Esse plano de acompanhamento vai estar inserido dentro dos serviço de proteção especializado à família e indivíduos. Quando se trata de abuso, vão ser trabalhadas questões para superar essa violência que a família vivenciou", afirma Sandra.

A diretora do Deparamento de Proteção Social Especial comenta que a questão de abuso sexual normalmente acontece dentro do núcleo familiar. "A maioria dos casos de crianças que sofreram o abuso é dentro do contexto familiar. Pai, padrasto, irmão, tio, avô".

Atendimento

A psicóloga Silvana Guitte, que realiza atendimentos diariamente no Creas, afirma que em cerca de 90% dos casos, a família no atendimento resume-se à presença da mãe. "Mas mesmo assim, temos casos que às vezes o pai é suspeito de ser o abusador e ele pede para ser atendido. Durante a conversa, ele fala que vai em todas as instâncias que for chamado para provar que não fez absolutamente nada com a filha".

Silvana ressalta que o atendimento realizado pelo Creas não é no sentido de julgar o fato que ocorreu, mas sim de tentar entender toda a situação e auxiliar em um desfecho. "A gente acolhe, não é nosso papel julgar essa questão da apuração do ato. A gente acolhe como individuo, um sentimento dele que vem aqui".

Abusador

No decorrer da reportagem, foi também abordado o perfil do abusador. Silvana explicou que normalmente eles são muito perspicazes e envolventes. "É difícil para a mãe detectar que a criança foi abusada, porque normalmente é uma pessoa próxima da família e acima de qualquer suspeita".

O psicólogo do Derefim, Antonio Carlos Gonsales Sanches, comenta, por sua vez, que constantemente recebem casos para o atendimento com relação ao abuso sexual infantil. "É importante ressaltar que os encaminhamentos do Conselho Tutelar são prioritários. Embora tenhamos uma agenda de encaminhamentos, quando chegam casos encaminhados pelo Conselho eles passam na frente e são prioritários".

A maioria dos casos, no entanto, chega pelo Conselho Tutelar, então Antonio explica que eventualmente pode vir algum caso pelo Poder Judiciário, promotoria ou juizado. Ele ainda ressalta que no Derefim não é realizado o trabalho investigativo para verificar se procede ou não a denúncia de abuso. "Também não emitimos nenhum laudo ou relatórios dizendo se houve ou não situação de violência. Isso é de competência da autoridade policial, do instituto médico legal e do judiciário", afirma.


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