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Acolhimento e triagem acontecem nas instituições

No Derefim, inicialmente é realizada uma triagem com os pais ou com responsáveis legalmente constituídos pela criança que supostamente foi abusada. "Nessa triagem procuramos entender o que tem por trás dessa demanda; se for necessário, às vezes as escutas se estendem mais e posteriormente essa criança passa por uma avaliação feita pelos profissionais e segue o processo de psicoterapia", explica Antonio.

Leandro, que também atua como psicólogo do Derefim, comenta que faz-se necessário entender o que está acontecendo com a criança. "Então se realmente ocorreu o abuso, quais foram os danos e o que isso causou ou pode causar. E se existe mentira, o que levou ela a fazer isso. E o por quê?", justifica. O psicólogo explica ainda que uma mentira sempre fala de uma verdade do sujeito. "Então na clinica não existe mentira, pois não estamos no julgamento, estamos para ouvir qual é a verdade que está sendo dita nesta mentira que o sujeito apresenta", adiciona o profissional, lembrando que, na maioria dos casos, a criança não mente a respeito do abuso sofrido.

Perfis

As consultas no Derefim acontecem uma vez por semana e no caso de crianças que sofreram abuso sexual, elas recebem um tratamento individual. Mesmo após sofrer o abuso, Antonio percebe que, na maior parte das vezes, a criança ainda não perdeu aquela vontade de brincar, de ser alegre. "É muito raro isso acontecer. Casos mais complexos ocorrem quando o pai ou a mãe começam a falar doocorrido para todos".

Atualmente, Leandro atende a dois casos que foram encaminhados como abuso sexual e, em sete meses, já realizou o atendimento a cerca de seis crianças. "Dos casos que atendi, a idade das crianças variava de 3 a 5 anos".

Dos casos atendidos por Leandro, wele percebe que muitos deles acontecem a partir de um processo de sedução por parte do abusador. E que ele não precisou utilizar da violência física. "Nesse momento, quando a criança descobre o que ocorreu de fato com ela e percebe que foi vítima de um ente querido, ela se sente automaticamente culpada. Ela não viu o abuso como algo agressivo. Mas sim como um carinho, uma manifestação de amor. Isso acaba causando mais problemas psicológicos".

As mães

Sobre o atendimento do Creas para as famílias, Silvana, que atende diariamente, comenta que as mães não possuem muita dificuldade em falar sobre o que aconteceu. "Depois do acolhimento, as mães começam a passar por sessões com a psicóloga. A gente fala que é um momento dela, que ela pode se abrir, pode falar e que tudo vai ficar em segredo. A nossa função é a de orientar a mãe a auxiliá-la nesse momento tão complicado de sua vida".

Em alguns dos relatos durante seus 18 anos de atendimento no Creas, Silvana diz que, por vezes, as próprias mães já foram estupradas quando crianças. "As mães no depoimento delas falam que também foram abusadas quando criança, mas não todas e, às vezes, o fato se repete com suas filhas", lamenta.


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