Indaiatuba

Abrigo garante todos os direitos da criança e adolescente recolhidos

Durante o período de 2013 até agosto de 2016, a Associação Beneficente Abid acolheu 104 crianças. Sendo que os principais motivos que levaram ao acolhimento são por negligência, uso de drogas pelos responsáveis legais e abandono. "Normalmente, a criança não chega por ter sido abusada sexualmente, mas sim por algum tipo de negligência, e, durante a estadia dessa criança, a gente descobre a possibilidade dessa criança ter sido abusada sexualmente", conta Adriana Casassa Schoendorf, psicóloga coordenadora do serviço de atendimento da Abid.

Atualmente, oito crianças estão sendo atendidas pela Abid. O motivo maior do acolhimento é a negligência. Elas estão entre dois meses a 11 anos. A maioria é negligencia e uso de drogas dos pais.

De acordo com Adriana, o trabalho do abrigo é de proteção integral à criança e um desenvolvimento de uma nova reestruturação familiar para que ela possa retornar aos responsáveis. "A garantia da lei é que a criança retorne para a própria família; ela estar aqui é último caso, excepcional e provisoriamente", explica.

Na Abid, a criança recebe o atendimento integral para que ela tenha todos os seus direitos garantidos, como saúde, educação, alimentação, higiene, lazer e cultura. "Então ela mora aqui com a gente na casa e tem as atividades dela também dentro da comunidade. Por exemplo, ela vai para a creche, ou se é uma criança que precisa de fonoaudiólogo levamos ela até a sessão", cita Adriana.

A psicóloga, também da Abid, Shaienie Lima, explica que, em média, as crianças ficam cerca de três meses no abrigo. "No entanto, a gente tem conseguido reduzir esse tempo para um mês e meio, no máximo".

Em alguns casos, as crianças ficam felizes por estarem no abrigo. Mas Shaienie conta que na maioria das vezes isso não ocorre. "A maioria possui um vínculo afetivo muito forte com os familiares. Nosso papel não é julgar os pais e dizer o que eles fizeram, trabalhamos a realidade",afirma. "As crianças têm um sentimento recorrente que é ambivalente, ou seja, em alguns momentos, querem estar perto do familiar, em outros não; é difícil para criança entender que estar no abrigo é uma medida protetiva, pois às vezes ela enxerga como uma medida de punição".

Estrutura familiar

A assistente social da Abid, Patrícia Maura Bonini Brancaglion, explica que a entidade tem o cuidado para não comprometer toda a estrutura familiar por conta dos atendimentos pelos quais a família precisa passar. "Para cada caso temos um tipo de procedimento, são feitas reuniões pessoais sempre que ocorre a necessidade dos casos, e, se o caso não foi registrado pela delegacia, o primeiro trâmite é tornar o fato conhecido pela justiça", lembra.

Patrícia explica, por fim, que a criança que está no serviço de acolhimento precisa ser o mais rápido possível integrada novamente à sua estrutura familiar dentro de condições cabíveis. "A gente procura ao máximo garantir o direito da criança de voltar à família e, em último caso, a gente começa a trabalhar com a família substituta, que seria a adoção", conclui.


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