Indaiatuba

Greve dos bancos chega à terceira semana

Os bancários decidiram prosseguir com a greve, após proposta que significava perdas para a categoria. Em Indaiatuba, apenas sete agências do Banco do Brasil (BB) e Caixa Econômica Federal (CEF) continuam paralisadas.

As paralisações completaram 14 dias ontem e, segundo as lideranças sindicais, os banqueiros se limitaram em propor reajustes abaixo da inflação e nenhum avanço no sentido de melhorar o emprego, a saúde e as condições de trabalho. Para o Sindicato dos Bancários de Campinas e região, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), que negocia com o Comando Nacional dos Bancários, aposta no desgaste e enfraquecimento da greve.

Depois de rejeitarem a proposta apresentada na rodada do dia 29 de agosto, que previa um reajuste de 6,5% e abono de R$ 3 mil, os representantes dos bancários se reuniram novamente com a Fenaban no último dia 9. "Foi apenas provocação", afirma Ana Stela Alves de Lima, presidente do Sindicato. "O reajuste proposto foi de 7% e o abono de R$ 3,3 mil; o índice não repõe sequer a inflação acumulada entre setembro de 2015 e agosto de 2016, que atingiu 9,2%. Em resumo, os banqueiros nos impõem perdas de 2,39% - por isso, rejeitamos novamente", completa.

As principais reivindicações da categoria são um reajuste salarial de 14,78%, sendo 5% de aumento real e 9,31% de correção da inflação; piso salarial de R$ 3.940,24; participação nos lucros e resultados (PLR) de três salários, mais R$ 8.297,61, o que, com o piso, daria pouco mais de R$ 20,1 mil; vales-alimentação e refeição, décima-terceira cesta e auxílio-creche/babá no valor do salário-mínimo nacional (R$ 880); 14º salário; fim das metas abusivas e assédio moral; fim das demissões, ampliação das contratações, combate às terceirizações e à precarização das condições de trabalho; mais segurança nas agências bancárias e auxílio-educação; e fim às discriminações nos salários e na ascensão profissional de mulheres, negros, gays, lésbicas, transexuais e pessoas com deficiência.

Resistência

Conforme o diretor regional do Sindicato em Indaiatuba, Jacó dos Santos Bastos, 270 agências bancárias estão paradas em Campinas e região. "Aqui no município, por enquanto, só os bancos públicos aderiram. A resistência da Fenaban acabou criando um impasse, mas não vamos ceder", garantiu.

Por volta das 16h de ontem, o Sindicato convocou assembleia em sua sede, em Campinas, para que, junto com os trabalhadores do setor bancário, decidam sobre qual localidade a paralisação será intensificada. "Como não houve negociação aceitável nas duas primeiras rodadas, vamos chamar mais pessoas para aderirem ao movimento e, assim, pressionar os banqueiros", completou Jacó.

Stela endossou a fala do sindicalista de Indaiatuba, e acrescentou que o momento é o de reunir forças e rebater os ataques dos banqueiros. "Eles posam de durões para os trabalhadores, e na mesa só choram - de barriga cheia", declarou.

"No primeiro semestre deste ano, os cincos maiores Bancos (Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal) lucraram R$ 29,7 bilhões. E mais: sem nenhum respeito aos bancários, no mesmo período, eles fecharam 7.897 postos de trabalho; e, para completar, a rentabilidade dos bancos permanece alta, apesar da forte recessão. Portanto, os banqueiros reúnem todas as condições para atender as reivindicações da categoria, e pressionados, podem ceder. Os sindicatos apostam na mobilização e na firme disposição de luta dos bancários, sempre abertos ao diálogo", finalizou a líder sindical.


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