Indaiatuba

Alta do etanol impede redução no preço da gasolina

COMBUSTÍVEL

A redução no preço da gasolina nas refinarias da Petrobras ainda não chegou aos postos de abastecimento. De acordo com a Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes (Fecombustíveis), o custo final do combustível permaneceu inalterado, devido à alta do etanol anidro, que é misturado à gasolina em 27%.

A Federação aponta que o reajuste do etanol chegou a 18,52%, conforme o índice do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Escola Superior de Agricultura Luís de Queiroz (Cepea/Esalq). Desde meados de maio, no auge da safra, até o momento, o reajuste atinge os 33%.

Nos postos de abastecimento de Indaiatuba, o preço da gasolina continua o mesmo. "Teve uma redução quase insignificante de R$ 0,02 - foi de R$ 3,59 para R$ 3,57", afirmou o frentista Orlando Pinto, de uma das unidades dos postos Shell. "Por outro lado, o álcool (etanol) subiu de R$ 2,69 para R$ 2,79", revelou.

Um dos consumidores do estabelecimento, que preferiu não ter o nome divulgado, disse se tratar de um estratagema do governo. "Isso é uma estratégia, porque eles fizeram descer a gasolina para poderem subir o álcool. Na verdade, não desceu é nada, e o governo é quem sai ganhando na arrecadação de mais impostos", criticou.

Ainda segundo a Fecomércio, outra situação preocupante é o custo final do óleo diesel; no último leilão de biodiesel, promovido pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, conforme divulgado pela BiodieselBR, as distribuidoras adquiriram o biocombustível 19% mais caro em relação ao leilão anterior; ou seja, nos próximos dias este aumento deverá ser repassado para o custo do óleo diesel B, que recebe a adição de 7% de biodiesel.

Livre mercado

Em função dos custos mais elevados do etanol anidro e do biodiesel, que impactam diretamente no custo final da gasolina e do óleo diesel, os postos não compraram os combustíveis com menor preço. Como consequência, estão sendo acusados por não repassar os custos da Petrobras ao consumidor.

"Não sabemos com antecedência se haverá aumento ou redução nos preços; é só quando chega o combustível na bomba que informam a gente dos valores, que já são passados para os clientes", alegou Orlando.

Alcides Gomes, frentista de um dos postos BR, confirma a fala do colega. "Eles falaram que iria baixar o custo da gasolina, mas isso não aconteceu. Nós temos de cobrar em cima do valor que eles mandam para gente, não tem outro jeito", concluiu.

A Fecombustíveis ressalta também que a redução de custos nas refinarias da Petrobras não considera os custos dos biocombustíveis, que são embutidos no preço final da gasolina e do diesel. A entidade reitera que, desde a liberação de preços dos combustíveis pelo governo federal, o mercado é livre e competitivo em todos os segmentos, cabendo a cada posto revendedor decidir se irá repassar ou não os aumentos e/ou reduções de preços ao consumidor, de acordo com as suas estruturas de custo.


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