Indaiatuba

Protesto contra corrupção reúne 450 pessoas

PROTESTO

Na manhã do último domingo, diversas pessoas foram até o Parque Ecológico para protestar contra a corrupção que se alastrou na política nacional. A ação, organizada pelo Movimento Vem Pra Rua (VPR), teve o apoio do Movimento Brasil Livre (MBL), e contou com a participação de cerca de 450 pessoas - 500, segundo os organizadores, e 400 participantes, de acordo com a Polícia Militar.

A concentração teve início às 9h, e a passeata pelo Parque foi a partir das 10h. "Nós tivemos duas semanas para organizar tudo e divulgar a ação", comenta Evandro Magnusson, líder do VPR. "Mas, ficamos felizes, pois imaginávamos que viessem bem menos pessoas", revela.

Os protestos contra a corrupção e de apoio à Operação Lava Jato foram convocados pelas redes sociais. Além de defenderem o juiz Sérgio Moro, os manifestantes pediram a saída de Renan Calheiros (PMDB-AL) da presidência do Senado, e de Rodrigo Maia (DEM-RJ), da Câmara dos Deputados.

"A aprovação do pacote de medidas contra a corrupção, proposto pelo Ministério Público Federal (MPF), e que os deputados votaram contra na calada da noite, também é uma de nossas bandeiras", afirma Evandro. "E eles se reuniram justamente quando os brasileiros estavam sentidos com o acidente que vitimou os jogadores chapecoenses".

O Vem Pra Rua também é um dos movimentos que promoveram a campanha pró-

impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT); eles receberam o apoio do MBL, atualmente sob a liderança de Gabriel Beccari, em Indaiatuba.

"Foi um evento bastante produtivo, e mostrou que o povo está mais politizado e atento ao que acontece a sua volta. Em uma manifestação pacífica, os participantes demonstraram sua indignação e insatisfação com a sujeira na política, que vem minando os recursos do País", aponta Gabriel.

Ele diz que, pelo pouco tempo que tiveram para organizar a manifestação, esperavam em torno de 300 pessoas. "A própria pressão popular acaba engajando mais gente para participar, e isso é muito importante. O movimento nas ruas expõe a insatisfação das pessoas em relação a determinados políticos, e estes ficam expostos de forma negativa, o que eles obviamente não desejam", explica.

Poder popular

Tanto Gabriel quanto Evandro são unânimes em considerar o voto nulo ou branco como um tipo de protesto, de manifestação; contudo, alertam para o perigo de se manter os mesmos políticos no poder.

"A quantidade expressiva de nulos e brancos nas eleições municipais mostraram que os brasileiros estão descontentes - isso é um fato. Todavia, esta ação favorece os políticos que já estão no poder; as cadeiras estão lá e vão continuar, mas, quem faz a escolha dos que irão ocupá-las é apenas o povo", argumenta Gabriel.

"O maior instrumento que temos em mãos é o voto; eu respeito quem tenha optado por não escolher ou pela abstenção, porém, essas pessoas deixaram nas mãos de outros uma escolha que poderia ser delas. Vejo muita gente se afastando da política, não participando, e isso enfraquece o movimento, e dá força para os corruptos. Temos de tentar consertar o Brasil, e a participação popular é fundamental para isso", ressalta Evandro.

Nacional

As ondas de protestos lideradas pelo VPR ocorreram em todo o País, atingindo quase 200 cidades. O principal grito de guerra dos manifestantes foi o "Fora, Renan".

Um dos fatores que desencadearam o movimento deste domingo foi influenciado pela atitude dos deputados que, liderados por Maia, na semana passada, realizaram uma manobra para aprovar uma versão distorcida das dez medidas contra a corrupção. Na Câmara, o texto do MPF, que chegou com mais de dois milhões de assinaturas, foi modificado e abriu brecha para a anistia ao Caixa 2.

Em São Paulo, o movimento ocupou cinco quarteirões da Avenida Paulista; no Rio de Janeiro, a Avenida Atlântica se cobriu de verde e amarelo, e a população pediu também a prisão do ex-governador, Sérgio Cabral Filho. Em Pernambuco, o povo tomou dois quilômetros da Avenida Boa Viagem, expressando apoio a Moro e exigindo a saída de Renan. Havia ainda faixas pedindo as prisões de Lula e Dilma.


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