Indaiatuba

Alunos com deficiência auditiva se formam no curso de Gastronomia

Dois alunos da Faculdade Max Planck superaram seus limites e se desafiaram ao entrar no curso de Gastronomia, provando mais uma vez que não há limites para correr atrás dos sonhos e objetivos. Guilherme Conti do Nascimento e Odalicio Piria apresentaram, com seus colegas de classe, o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) na segunda-feira, e foram aprovados. O grupo apresentou um cardápio lindo e saboroso, cujo tema era a África do Sul.

A reportagem esteve na apresentação e, além de provar os pratos do restaurante criado pelos alunos, conversou com Guilherme, de 27 anos, e com Odalicio, de 48, com a ajuda do intérprete de libras, Eliezer Thomas Schroeder, que contou à Tribuna que Odalicio nasceu com a deficiência e Guilherme ficou surdo através de uma meningite que teve aos três anos de idade.

Para conhecer um pouco mais os gastrólogos, a reportagem questionou ambos do porquê escolheram o curso. "Sempre tive vontade de cozinhar e interagir com a cozinha, com este universo, inclusive já tinha feito alguns cursos de culinária japonesa em outros lugares, mas coisa simples, muito técnico. Também sempre ajudei a família a cozinhar, esta vontade de estar envolvido na culinária vem de família", conta Guilherme, que fez o curso como hobby para viver uma nova cultura. Guilherme também é formado em Contábeis pela Max Planck.

"Eu procurei a faculdade porque tinha vontade de estudar Gastronomia e gostaria de abrir meu próprio restaurante, ou trabalhar com evento e atender", adiciona Odalicio.

Falando sobre o curso, Guilherme afirma que vivenciou momentos únicos na faculdade. "Foi uma coisa mágica, obtive um novo horizonte. Conhecia um pouco de cozinha, mas aqui pude conhecer as técnicas e os manejos, aprendi porque o prato que fazemos em casa fica diferente do restaurante. Foi excelente", afirma. "A cozinha é um universo que está aberto às possibilidades do surdo e a faculdade está totalmente preparada para receber um deficiente", acrescenta.

Odalicio conhecia a Max Planck, mas não conhecia os cursos. "Vim até a instituição, curioso, querendo saber sobre o curso de Gastronomia porque tinha vontade de estar neste ramo. Eu precisava desse diferencial e por que não incluir o surdo dentro da Gastronomia?", questiona.

Intérprete

O intérprete e professor de Libras, e aluno do curso de Gastronomia, Eliézer Thomas Schroeder, de 32 anos, conta como chegou à faculdade. "Eu entrei na Max Planck em 2009, no curso de Contábeis, na qual eu fui interprete do Guilherme. Depois, fui convidado para lecionar, mas optei por continuar como intérprete, já que como funcionário tenho direito às bolsas e, como estaria dentro da sala de aula todo esse tempo, poderia aproveitar e estudar", diz. "Daqui uns anos posso lecionar e terei um leque de opções para atuar, mas minha intenção agora é de trabalhar como intérprete", afirma Eliézer.

Ele ainda ressalta que a instituição está apta a receber alunos deficientes em seus cursos. "A Max proporcionou aos deficientes esta abertura que é a inclusão dentro do curso superior. A faculdade faz esta inclusão desde o vestibular, depois na matrícula, tudo acompanhado por um intérprete. Além disso, os cursos tem uma estrutura pedagógica, os professores tem termo de compromisso onde estão cientes que tem aluno com deficiência dentro da sala e ele precisa aplicar as metodologias próprias para esses alunos".


Fonte:


Notícias relevantes: