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Intenção de financiamento segue em queda

No final de dezembro, os consumidores se mostraram mais conservadores em relação ao uso do dinheiro. A constatação foi da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), por meio da pesquisa de Risco e Intenção de Endividamento (PRIE).

Segundo o estudo, o índice dos consumidores que tinham a intenção de entrar em um financiamento caiu 4,1% no último mês do ano, em comparação com novembro. No confronto com o mesmo mês de 2015, o resultado foi o contrário, apontando um crescimento de 4,4%.

Com o recuo da intenção de financiar, somente 8,2% dos consumidores na cidade de São Paulo (de onde foi retirada a amostra da pesquisa) demonstraram disposição para tomar crédito neste primeiro trimestre - total bem abaixo dos 10,1% da média histórica.

Já o índice de segurança de crédito foi reduzido em 2,3%, se comparado com novembro, passando de 80,2 para 78,4 pontos. Em relação a dezembro de 2015, houve alta de 2,9%, período em que o índice registrava 76,2 pontos.

Para a assessoria econômica da entidade, a queda do índice de segurança de crédito se deve à redução da poupança das pessoas não endividadas, cujo percentual teve recuo em 10,3%, comparados ao resultado de novembro. Este comportamento está de acordo com a intenção de financiamento, revelando um consumidor ainda inseguro para assumir novas dívidas, e que utiliza suas reservas financeiras para cobrir as despesas sempre que possível.

Freio de mão

A FecomercioSP alerta que este início de ano exige cautela por parte de consumidores e financiadores. Mesmo com expectativas de retomada da economia, o desemprego ainda é muito elevado e não mostra sinais imediatos de recuperação.

O agente de negócios Carlos José A. Gonçalves está entre os mais conservadores, já que as previsões são negativas em seu ramo de atividade, que é o de seguros. "Conforme previsão de profissionais da área, este ano vai ser difícil para as seguradoras no Brasil, tendo em vista o aumento de sinistros e receitas financeiras menores, reflexos da crise econômica. Por isso, qualquer prestação a longo prazo se torna impensável", pondera.

Ele revela ainda que a necessidade de trocar de veículo vai ter de esperar. "Meu carro é muito usado e já começa a dar sinais de cansaço... porém, a melhor solução que vejo no momento é procurar o mecânico e tentar estender a vida útil da máquina o mais que puder", completa Carlos.

A pesquisa da FecomercioSP mostrou também que, no período do Natal de 2016, boa parte das famílias optou por usar o 13º salário para a quitação de dívidas em lugar de fazer as compras. Frente à crise, há muitos ainda que pretendem se livrar dos débitos e abrir poupança, o que representa um comportamento esperado para aliviar o risco de crédito.

A FecomercioSP observa que, caso haja melhoria relevante no cenário econômico, a tendência é a retomada gradativa na oferta de crédito, e a consequente redução dos riscos, seja pelo aumento da poupança ou o recuo do desemprego, fatores correlacionados diretamente.


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