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46% dos brasileiros atrasou contas em 2016

Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), até 2018 o número de desempregados no Brasil deve chegar a 13,8 milhões. Este fator, junto com a pressão inflacionária, fez com que a renda encolhesse e muitas famílias ficaram endividadas.

Uma pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) mostrou que quase metade (46%) dos brasileiros atrasou ou deixou de pagar pelo menos uma conta em 2016, enquanto 65% tiveram o nome negativado.

Apesar disso, o percentual é menor do que em 2015, quando 53% admitiram pagar algumas contas depois do prazo. O cartão de crédito (19%), a conta de luz (17%) e a internet (13%) foram os gastos que mais comprometem o orçamento.

Mudança de atitude

Entre os entrevistados endividados que já estiveram com o nome sujo, 89% garantiram ter mudado de atitude em relação à administração das finanças: 34% pensam muito antes de comprar; 30% começaram a controlar os gastos e 27% só compram à vista. Além disso, 24% deixaram de emprestar o nome a terceiros; 23% evitam utilizar o cartão de crédito e 11% declararam ter cancelado os cartões.

De acordo com o advogado especialista em direitos do consumidor e consultor financeiro, Dori Boucault, mesmo em situação de inadimplência os consumidores ainda possuem direitos que devem ser cumpridos. "Mesmo estando endividada, a pessoa deve ser tratada como qualquer outro consumidor".

Para ele, os endividados devem conhecer a fundo sua real situação para, só assim, começar a tomar ações para sair dela. "Antes de fechar qualquer acordo, veja se o seu orçamento suporta o pagamento, dessa forma você não entra em uma nova dívida", orienta. "Se pensar em refinanciar a dívida, veja antes se esta é a melhor opção; observe juros, taxas e encargos da negociação", completa.

Negociação

Dori fala ainda que várias propostas podem ser oferecidas, mas o inadimplente só deve fechar acordo se as condições atenderem suas necessidades.

No caso do credor recusar a proposta e o endividado considerar a cobrança de juros abusiva, Dori aconselha que ele faça um cálculo do que deve e verifique os acréscimos reais. "Isso irá servir para ter a noção do que é possível ser cobrado e não aquilo que está sendo apresentado. Se a cobrança for considerada abusiva, o devedor pode solicitar uma discussão judicial da dívida e, desta forma, propor outra realidade de cálculo. Esses casos são encaminhados para juizados especiais, antigo judicial de pequenas causas. Quase sempre essas discussões resultam em acordos", argumenta Dori.

Se o inadimplente conseguir a renegociação, deve ser feito um novo documento com novas taxas, prazos e parcelas - se possível, parcelas fixas. 

Portabilidade

O advogado explica ainda que há possibilidade de portabilidade da dívida, mas que isso também deve ser bem avaliado. "A pessoa deve procurar um profissional, um gerente de outra agência, por exemplo, diferente da que o empréstimo foi concedido e o profissional pode oferecer melhores condições na tentativa de trazer a sua conta para agência dele. Em alguns casos, a portabilidade pode ser vantajosa", reflete Dori.

Porém, a mudança requer atenção, já que pode trazer aumento de custos com tarifas e pacotes de serviços, que podem anular os juros menores. Por fim, Dori indica não tomar novos empréstimos para pagar a dívida. "Isso fará você entrar em uma bolha que será muito difícil de sair. Priorize os pagamentos de acordo com suas necessidades, lembrando sempre dos juros de cada um dos pagamentos em atraso. Evite pagar apenas o valor mínimo do cartão, por causa do rotativo. Revise seus gastos e elimine gastos supérfluos. Por isso, reconhecer a situação de devedor é fundamental para sair do fundo do poço", finaliza Dori.


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