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Mais de 60% dos brasileiros não poupam o dinheiro

Em um momento delicado na economia brasileira e em meio à discussão sobre a reforma das regras de aposentadoria, o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e a Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL) criaram um novo levantamento, que será divulgado mensalmente, para saber quem poupa dinheiro - é o Indicador de Reserva Financeira.

O primeiro índice já veio com um mau resultado: 62% dos brasileiros não guardam dinheiro e nem possuem reserva. Já cerca de 29% guarda apenas o que sobra do orçamento e apenas 7% reservam um valor fixo mês a mês - somando-se os dois percentuais, 36% têm o costume de guardar alguma quantia.

O especialista em Finanças e Economia e professor da Inova Business School, Anderson Pellegrino, lembra que o percentual de quem não guarda dinheiro é alto, ainda mais se iniciada uma comparação. "Temos números muito melhores em países desenvolvidos e regiões emergentes", lamenta.

Sobre essa realidade, ele atribui os números a um conjunto de fatores. "Primeiramente, o brasileiro não tem essa cultura de poupança consolidada, é algo histórico e tem muita relação com nosso sistema de educação, que não preza por isso", cita. "O Brasil também tem uma renda média relativamente baixa, o brasileiro não ganha muito e tem uma demanda represada", prossegue o professor. "E não podemos esquecer que a recessão pela qual estamos passando também influência, pois muitos não conseguem nem honrar com os compromissos, quem dirá que consegue poupar", complementa.

Classes

O indicador do SPC e CNDL ainda mostra que há diferenças entre classes sociais, como esperado: nas classes A e B, os poupadores habituais, independentemente de o valor ser fixo ou não, somaram 58% dos entrevistados; já nas classes C, D e E somaram 30%.

Segundo o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro, o brasileiro não tem o hábito de poupar e, quando poupa, na maioria das vezes a poupança é o que sobra do orçamento, e não algo planejado. "A formação de uma reserva de dinheiro é um tópico fundamental para o equilíbrio das finanças pessoais, mas tende a ser negligenciada por boa parte dos consumidores. A consequência disso é que, se deparados com um acontecimento imprevisto, muitos acabam inadimplentes", afirma Pellizzaro.

Para Pellegrino, isso está diretamente relacionado a essa cultura de gastar que o brasileiro sempre teve. "Termos 29% de pessoas que guardam o que sobra no fim do mês é ótimo, é algo muito positivo, mas precisamos virar essa chave e criar uma cultura de poupança", reafirma.

Sobre a demanda reprimida, ele explica que é um impeditivo para as reservas. "Todos têm necessidades, gastos com bens essenciais ou outros que dão mais conforto para a pessoa e que tiram qualquer margem de reserva dessa pessoa", argumenta. "Mesmo que o trabalhador tenha um aumento em algum momento não quer dizer que ele vai ter sobra do salário para poupar".


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