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Ibope vê população otimista com a crise

Muitos brasileiros acreditam que a crise econômica está entre o meio e o fim. A informação é de uma pesquisa feita pelo Ibope Inteligência. Para 45% dos entrevistados, este ano será melhor do que 2016.

Por outro lado, o estudo mostra ainda que 41% dos brasileiros acreditam que as dificuldades econômicas que o País atravessa estão apenas começando. "Eu acho que a gente não chegou nem no meio dessa crise aí. Acho que dura mais uns cinco anos", comenta o taxista Célio Alves dos Santos, do Jardim Morada do Sol. Ele trabalha na Praça Dom Pedro e na rodoviária, e fala ainda que o movimento este ano caiu 60%. "Isso não foi só por causa da economia, mas também pela concorrência do Uber", explica. O taxista diz também que o quadro político desanima, e que a corrupção é a principal causa da crise.

O aposentado Anselmo B. de Castro, morador do Centro, também concorda que a crise está em seu início. "O governo está colocando a crise do Brasil nas costas dos pobres. Você não escuta falar que banqueiro e político vão reduzir salários; eles se aposentam com 50 e poucos anos", critica.

De acordo com a pesquisa do Ibope, 55% da população responderam que a crise se encontra na fase do meio para o fim; sendo que 44% pensam que está na metade e 11% disseram que já está terminando. Questionados sobre o ano de 2017, 45% demonstraram expectativas positivas; 21% acreditam que será pior do que o ano passado; 31% disseram que será igual e 3% não responderam.

Apesar do nível de otimismo, a pesquisa revelou uma população insatisfeita com a economia do país. Em janeiro, 60% dos brasileiros não aprovavam os rumos econômicos - este percentual ficou um pouco acima dos 56% verificados em julho de 2015.

Grana curta

O otimismo com 2017 não foi suficiente para salvar as últimas compras de 2016. Segundo a pesquisa, apenas 33% da população comprou presentes nesta data, a mais importante para o varejo brasileiro. Entre os consumidores das classes A e B, só metade comprou algum presente.

"A pesquisa mostra que em um ano no qual as pessoas estão muito indignadas e desconfortáveis com tantas notícias sobre corrupção, parece haver uma necessidade de resgatar valores primários como honestidade e sinceridade. Em tempos de falência das instituições, a solidariedade também se tornou necessária e valorizada", diz Marcia Akinaga, diretora do Ibope Inteligência.

O brasileiro tentou se adaptar à crise no Natal, e buscou outras opções para não se endividar mais. Parcelar a compra foi uma das estratégias utilizadas, porém, quem parcelou comprometeu seu orçamento até maio de 2017.

A empregada doméstica Mônica da Silva confessa que vê a situação cada vez mais difícil. "Estou tendo muitas dificuldades para pagar as dívidas; não sobra dinheiro para guardar", enfatiza.

Luiz Nepomuceno está sem trabalho há duas semanas e confirma que está muito complicado encontrar emprego. "Pra mim, a tendência é piorar", dispara. "A empresa onde eu trabalhava cortou pessoal e tem muitas outras fechando no Distrito. Agora estou tentando qualquer coisa, porque faço faculdade e preciso pagar a mensalidade", completa o jovem.

Já Thiago N. Silva está um pouco mais otimista, pois acaba de conseguir um trabalho e começa em março. "Acho que daqui a um ano deve melhorar um pouco; com a mudança de governo eu pensei que isso fosse acontecer mais rápido. Mas, a tendência na cidade é de melhora, por causa da estrutura e do incentivo às novas empresas", opina.


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