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Discriminação contra a mulher é recorrente no mercado profissional

Para finalizar a série especial em celebração ao Dia Internacional da Mulher, a Tribuna traz uma reportagem sobre as profissionais que não se intimidaram em abraçar atividades predominantemente masculinas. Elas passaram por cima de preconceitos, discriminação e até ofensas, mostrando que a força feminina vai além do espaço limitado entre cozinha e lavanderia.

Para representar as mulheres que adentraram o universo masculino, a paraibana Renata Neves Leite, que há 19 anos atua como árbitra de futsal, lembra sua trajetória. Ela revela que o interesse pelo esporte existe desde muito cedo, quando jogava bola com o irmão dois anos mais novo.

"Sempre gostei de futebol e a pouca diferença de idade com meu irmão permitia que jogássemos juntos. Depois, já na faculdade, fui convidada para integrar a equipe de futsal que disputou o campeonato brasileiro de 1995,em Fortaleza. Na época eu era goleira do time de handebol", lembra Renata.

Ela lembra ainda que o tempo de transição de atleta da seleção paraibana para a carreira de árbitra foi muito curto. "Percebi na arbitragem o caminho certo para permanecer no esporte que eu tanto gostava", acrescenta.

Em 2012, Renata Leite foi a primeira mulher a apitar partidas na Copa do Mundo de Futsal da Fifa; no mesmo ano, ela faturou ainda o prêmio Futsal Awards como segundo melhor árbitro do mundo. Já no primeiro semestre de 2016, a árbitra atuou em partidas do Campeonato de Futebol de Minicampo do Clube 9 de Julho.

Machismo 

Apesar das conquistas e visibilidade em seu ramo de atuação, Renata afirma que frequentemente é vítima de discriminação. "Em todos os jogos eu escuto xingamentos e ofensas, principalmente pelo fato de eu ser mulher e estar ali no papel de árbitra", aponta.

A profissional garante que direciona o foco cem por cento no trabalho. "A partir do momento em que entro no vestiário e visto o uniforme, deixo de ouvir ou ver qualquer coisa que desvie meu foco, especialmente no que se refere a preconceito. Mas, o que realmente dói é quando a ofensa ou discriminação parte de uma mulher; é muito triste quando uma torcedora olha para mim e diz: 'vai pilotar fogão, vai lavar louça, vai lavar roupa'", cita Renata.

Ela acrescenta que o tom pejorativo utilizado por essas mulheres passa a impressão de que o sexo feminino nasceu somente para exercer as atividades domésticas. "Não desmerecendo o trabalho doméstico, que é importante, mas todas nós temos, sim, capacidade para isso e muito mais. Por isso eu me dedico a fazer o melhor em meu trabalho", reforça a árbitra.

Sobre sua atuação nas quadras, Renata acrescenta que nunca apitou uma partida mista (com equipes de homens e mulheres), mas atua tranquilamente nas duas categorias. "Trabalho com ambos os gêneros sem nenhum problema ou discriminação de minha parte", destaca.


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