Indaiatuba

Protesto contra Previdência reúne categorias no Centro

Na manhã desta quarta-feira, professores da rede pública, juntamente com os servidores do Instituto Nacional do Serviço Social (INSS) se reuniram em passeata pelo Centro para protestar contra sobre a reforma da Previdência. No mesmo dia, trabalhadores em todo o Brasil também se manifestaram em repúdio às mudanças propostas na PEC 287.

A data foi instituída como o Dia Nacional de Luta contra a reforma pelas centrais sindicais e pelo Fórum Nacional das Entidades dos Servidores Públicos Federais. O manifesto foi decidido em assembleia por diversas categorias, entre as quais professores, bancários, metalúrgicos, metroviários, funcionários dos Correios e servidores públicos.

Em Indaiatuba, os manifestantes se reuniram na Praça Dom Pedro e caminharam até a Rua 24 de Maio, onde se concentraram em frente ao posto do INSS de Indaiatuba, que permaneceu fechado durante todo o dia 15 de março.

Durante o protesto, que teve início às 10h30, o trânsito na Rua 24 de Maio ficou interditado. O grupo ficou concentrado no quarteirão entre as ruas Treze de Maio e Tuiuti; além do grito "fora Temer", os manifestantes cantaram o Hino Nacional e reforçaram a importância da luta popular contra a reforma. Logo depois eles seguiram até a Câmara Municipal.

"Estamos promovendo um ato unificado de trabalhadores, e hoje o INSS não funciona", disse o servidor público Luiz Antônio Tadeu Silvério. "O que queremos é que as propostas da reforma sejam discutidas, pois, se passar do jeito que está, vai 'descer goela abaixo' da população, e aí não tem mais jeito", ressaltou.

A professora Giovana P. Oliveira explicou que o grupo estava ali para tentar assegurar os seus direitos. "Hoje a aposentadoria é após 29 anos de contribuição, e o governo quer passar para 49 anos. Não podemos aceitar isso de braços cruzados", concluiu.

Aparecida Braga é servente de escola e estava na passeata com outras colegas. "Acredito nesta luta e que só com a união do povo a gente consegue mudar alguma coisa", opinou.

"O governo quer que a gente trabalhe até morrer", criticou a estudante Marina C. M. Soares. "Se eu começar a trabalhar com vinte e poucos anos, vou conseguir me aposentar só quando tiver mais de 70 anos", criticou.

O Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região também aderiu ao movimento e fez uma paralisação na Toyota, em apoio à causa.

Manobra

O autônomo Danilo Sousa discorda dos protestos e vê a reforma da Previdência como uma ação necessária. "A maioria acredita que o dinheiro depositado no INSS todo mês será devolvido integralmente pelo governo, com juros e correção. Mas, isso é mentira. Na verdade nosso dinheiro já está indo para quem está se aposentando agora; já a nossa aposentadoria depende integralmente dos jovens que entram no mercado de trabalho hoje. Mas, se as famílias estão gerando cada vez menos filhos, de onde virá o dinheiro", questiona.

"O que vemos é uma verdadeira massa de manobra", continua Danilo. "Quando a Dilma admitiu a necessidade de uma reforma da Previdência, e que a média de 55 anos para a aposentadoria era um absurdo, ninguém deu um pio. Ao invés de se manifestarem contra a reforma, talvez fosse melhor lutarem para que a própria Previdência deixasse de existir e parasse de nos roubar", sugere.

PEC

De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Saúde e Previdência no Estado de São Paulo (Sinsprev), a reforma atinge diretamente os servidores públicos, pois, a mudança prevê, entre outras coisas, o aumento da idade mínima para 65 anos e o fim da integralidade e paridade no valor e reajuste dos benefícios.

As outras alterações dizem respeito à aposentadoria com valor integral somente com 49 anos de contribuição; da impossibilidade de acumular pensão por morte e aposentadoria; da restrição do acúmulo de aposentadorias; e redução na aposentadoria por invalidez.


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