Indaiatuba

Mulher procura a polícia para mãe receber atendimento em hospital

A filha de uma senhora de 84 anos que está internada no Hospital Augusto de Oliveira Camargo (Haoc) desde o dia 27 de março denunciou à Tribuna a falta de atenção ao estado de saúde de sua mãe. Sônia Regina Domingues contou que precisou fazer um boletim de ocorrência para um médico examinar sua mãe e, assim, conseguir transferi-la à emergência e UTI.

Primeiro, a senhora foi levada a Unidade de Pronto Atendimento (UPA), mas antes, dia 15, foi à Unicamp, onde faz tratamento de hepatopatia crônica. "Estava tudo normal, depois, ela teve uma infecção de urina e começou a tomar antibiótico; na quinta-feira, dia 23, e no dia 24 ela vomitou. Meu irmão a levou na UPA e a médica disse que era sintoma das medicações que ela toma. No domingo, dia 26, ela acordou com dor na barriga, que estava dura; voltamos ao UPA e a médica receitou soro, então, na segunda-feira, dia 27, eu estava saindo para trabalhar e ela vomitou novamente", conta a filha. "Na UPA, a médica disse que era melhor transferi-la para o Haoc".

No Haoc, um cirurgião pediu uma lavagem para depois reavaliá-la. "Uma enfermeira chegou com a ficha errada, não deixei ela aplicar a injeção e, depois, levaram minha mãe para o quarto quase às 3h da manhã, onde veio outra médica e a examinou, passou soro, trocou o antibiótico e pediu uns exames", continua. "Na quarta-feira, dia 29, fui trabalhar e, depois, fui visitá-la. Cheguei ao Haoc e a barriga da minha mãe estava mais inchada e dura, e com dificuldade de respirar", continua, relatando que a mãe ainda não havia sido examinada no dia. 

Na madrugada de quinta, além da dor, a mulher estava com a barriga dura, o pé inchado, ela tinha parado de comer, de urinar e defecar e saíram manchas na pele dela, como revela Sônia. "Eles falavam que aquilo era normal e não era urgente. Veio o médico da emergência e não relou o dedo nela. Ele disse que ele era da emergência e foi embora".

Boletim de Ocorrência

Ainda na quinta-feira, a paciente estava no quarto e foi examinada por outro médico, que alegou ser preciso levar a paciente para a emergência, segundo Sônia, o que não aconteceu. "Já no sábado, dia 1º de abril, deram medicamento para minha mãe, mas ela foi piorando e não a transferiram para a emergência, foi quando deu 23h, fui à delegacia e fiz um boletim de ocorrência (B.O.). Voltei ao hospital e mostrei a cópia do boletim, falei que se em cinco minutos não chegasse um médico eu iria ligar na delegacia", declara a filha. "Passaram dois minutos, o médico chegou e falou que ela seria entubada. Às 4h da manhã de domingo, dia 2, veio um médico, entubou ela e encaminhou para a emergência. Ela estava com um pouco de infeção hospitalar já, mas piorou. Inclusive, no quanto em que ela estava tinha uma mulher com infecção hospitalar que faleceu no domingo", cita. A mãe, assim, foi transferida à UTI ainda no domingo. "O médico falou comigo, disse que o estado dela é gravíssimo e ela entrou em coma", lamenta. "Se tivessem dado atenção para minha mãe antes, talvez ela estivesse melhor", completa.

Hospital

A reportagem questionou o hospital, por meio de sua assessoria de imprensa, sobre algumas irregularidades apontada por Sônia. Sobre a transferência da paciente para a Unidade de Tratamento intensivo (UTI) e a alta que a paciente teve, o Haoc respondeu que a paciente foi internada na UTI no dia 2 e que é portadora de hepatopatia crônica secundária a hepatite B, insuficiência hepática, insuficiência cardíaca, insuficiência renal, insuficiência vascular periférica com trombose venosa profunda, hipotireoidismo de evolução de longa data. "Todas estas patologias têm caráter crônico e irreversível. Isto já foi explicado para a família por mais de uma vez. O hospital é dotado, no total, de 30 leitos de Unidade de Terapia e o critério de admissão é clínico", explica. "A patologia da paciente é de caráter crônico com possibilidades terapêuticas de estabilização. A família prefere o tratamento da Unicamp, condição manifestada já em outras internações, mas não somos capazes de gerenciar a transferência", acrescenta o Haoc.

Sobre a falta do diagnóstico, o hospital alegou que "os diagnósticos são todos sabidos: hepatopatia crônica decorrente de hepatite B, insuficiência cardíaca, insuficiência hepática, insuficiência venosa, periférica, e outros". A respeito da internação junto com outra paciente que portava infecção hospitalar, o Haoc informou que a paciente foi transferida da UPA com quadro de broncopneumonia em uso de "cipro" (medicação), portanto, já com infecção. "Não são em todos os casos de doenças infecciosas que é necessário isolamento, apenas os casos de infecção contagiosa. Toda infecção internada passa pela avaliação da comissão de infecção hospitalar", respondeu.


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