Indaiatuba

Venezuelana é operada de graça no Haoc

O Hospital Augusto de Oliveira Camargo (Haoc) foi o local escolhido para a realização de uma cirurgia que salvou a vida de uma venezuelana de 27 anos. Michelle Duid Faria é cardíaca e necessitava de um novo marca-passo, já que a bateria do aparelho que ela usava estava no fim. Ela precisa do dispositivo para continuar vivendo e sua história foi destaque no programa semanal Fantástico, da Rede Globo, neste domingo.

A cirurgia, totalmente gratuita, ocorreu no último dia 31 de março, a pedido do cardiologista Roberto Costa. O médico já havia feito por diversas vezes o mesmo procedimento no Haoc e apontou o hospital da cidade como ideal para a cirurgia, já que ali existem condições técnicas adequadas para isso.

Há cerca de um ano, Michelle encontrou esperança no blog de uma mineira, Luciana Alves, de 42 anos. A brasileira, que também é cardíaca, faz trabalho voluntário e montou um blog destinado aos portadores de marca-passo. Assim que viu a postagem do aparelho dentro de uma flor, a venezuelana entrou em contato com Luciana, contando sua história.

Michelle é cabeleireira e mora em Maracaibo, uma das maiores cidades da Venezuela. Sem condições de adquirir o marca-passo, que custa em média R$ 15 mil, ela tentou recorrer ao governo; porém, todos os órgãos procurados por ela responderam que não havia recursos, já que o país passa por grave crise político-econômica.

Solidária ao problema da venezuelana, a benfeitora mineira não pensou duas vezes e rapidamente tentou conseguir o marca-passo. Entrou em contato com diversas empresas e, após seis meses, uma delas respondeu com a afirmativa. A próxima etapa era conseguir um médico para fazer a cirurgia, mas Luciana nem precisou procurar, pois ela se lembrou do cirurgião que implantou o marca-passo nela própria.

Estrutura

O marca-passo mede em torno de seis centímetros, e possui uma bateria e um minicomputador. A eletricidade emitida pelo equipamento é o que impulsiona os batimentos cardíacos. No caso de Luciana, o aparelho regula os batimentos; em contrapartida, Michelle utiliza o marca-passo para que seu coração continue batendo.

A paciente estrangeira chegou em São Paulo no dia 29 de março, e a passagem foi paga por parentes e amigos. Luciana foi recebê-la e, logo depois, vieram para Indaiatuba, com a ajuda da família da benfeitora. Aqui, a venezuelana recebeu a acolhida do psicólogo aposentado, Gilmar de Oliveira, também portador de marca-passo; e no dia seguinte ela deu entrada no Haoc.

Em entrevista exclusiva à Tribuna, o doutor Roberto comentou sobre a opção em realizar a cirurgia no Haoc. "Dada a urgência do caso de Michelle, o que me fez entrar em contato com o Haoc de imediato foi principalmente seu caráter filantrópico. Imaginei que ali conseguiríamos rapidamente a autorização para utilizar a estrutura hospitalar de graça, e foi isso que aconteceu", declarou.


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