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Recurso indispensável, água possui hoje alto valor econômico e social

Em celebração ao Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho), a Tribuna inicia uma série de reportagens sobre temas pertinentes, e o primeiro deles fala da água. Recurso natural imprescindível para a manutenção da vida, se apresenta na natureza sob as variadas formas e com características diversas.

Seja no estado líquido, sólido ou gasoso, a água é o patrimônio mais abundante presente no planeta. Segundo estimativas, o volume total de água na Terra é de 1,35 milhões de quilômetros cúbicos. Apesar de considerada pelo homem como recurso inesgotável, a água tem sido mal utilizada e isso, aliado ao aumento da população mundial, tem demonstrado que as fontes limpas já são escassas ou inexistentes em algumas partes do globo.

O processo progressivo de industrialização, gerado pelo consumo desenfreado, surge como uma ameaça ao equilíbrio natural. "O maior problema que enfrentamos hoje é o da poluição da água", alerta Marcelo Meuci, engenheiro ambiental e sanitário. "Os resíduos de processos químicos constantemente despejados nos rios comprometem a saúde da água, principalmente a que consumimos", aponta. "Cerca de dois terços da Terra são compostos por água,mas o ser humano tem acesso a apenas 0,5% desse total e a destruição do recurso natural atinge justamente este percentual".

O engenheiro comenta ainda que as empresas são as maiores poluentes das águas, depositando nelas resíduos pesados, como o mercúrio, por exemplo. "O esgoto doméstico é o menos nocivo, porque não está carregado de metais pesados e pesticidas", complementa Marcelo.

"A humanidade tem interferido demais no curso da água, o que depõe contra nós mesmos, já que a manutenção do equilíbrio hidrológico é essencial para que haja equilíbrio também na umidade atmosférica. Vejamos o exemplo de uma árvore centenária: ela transpira 300 litros de água por dia e o que vemos por aí são pessoas cortando este tipo de árvore indiscriminadamente", lamenta.

Inversão de valores

Atualmente, a água é vista como um recurso natural de elevado valor econômico, estratégico e social, levando-se em conta que todos os segmentos de atividades demandam dela para o desempenho de suas funções. "No futuro, a água irá valer mais do que uma BMW zero quilômetro", prevê Marcelo. "Nos Estados Unidos, uma garrafa de água custa mais caro que uma latinha de refrigerante. Isso já representa um sinal do que está acontecendo e boa parte das pessoas não se dá conta", lembra.

"É triste percebermos que a humanidade avança em um processo irreversível de destruição daquilo que é fonte da sua própria vida. O planeta possui recursos abundantes e inesgotáveis, porém, eles demandam certo tempo para se recuperar, e a ganância do homem não quer esperar", reflete o engenheiro.

Ele aponta ainda outro problema: os resíduos gerados pelo consumo alimentar industrializado. "Esse lixo sobra para o poder público; basta olhar para os lados e vemos garrafas pet, latinhas de cerveja e refrigerante, além de embalagens plásticas de diversos tamanhos, jogadas pelas ruas. São materiais que demoram muito para se decompor, e se forem parar nos rios comprometem a biodiversidade aquática, além da saúde humana, obviamente", observa Marcelo.


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