Indaiatuba

Corretor aponta falhas em apartamentos

Para os que pretendem adquirir um imóvel para morar, a situação é um pouco diferente, de acordo com Café. "A cidade foi inundada de apartamentos, em prédios de todo tipo, e isso já me causava preocupação há uns oito anos, pois aqui no interior ainda não temos essa cultura de morar em um local pequeno - e a gente não se acostuma a viver em um local de 20 ou 30 metros quadrados", explica.

"Sempre questionei isso, mas as pessoas não ouvem", alerta o delegado do Creci. "Em meus 32 anos de experiência, também me tornei um estudioso na questão de morar: para mim, o ideal é que uma casa, um lar, fosse confortável para todos", completa.

"Um bom apartamento hoje deve ter uma sala bacana, um quarto razoável (pelo menos para o casal), uma lavanderia independente, fora da cozinha, com parede, porta, fechando mesmo o local. Sempre gostei disso", opina Café. "Porém, de nada adianta indicarmos esses fatores em uma reunião, pois as incorporadoras vêm com o projeto pronto e não vão acatar", lamenta.

O corretor aponta como resultado disso os diversos empreendimentos lançados que ainda não conseguiram comercializar os apartamentos. "Há prédios que venderam quatro ou cinco apenas e o estoque é muito alto", revela.

Todavia, Café lembra que a questão do tamanho não é o único empecilho. "Soma-se a isso o financiamento que está muito caro e o receio dos cidadãos em assumirem dívidas a longo prazo, devido à alta taxa de desemprego no país", observa. "Até mesmo os prédios bem construídos, com bons apartamentos, estão com dificuldades nas vendas para quem quer imóvel para morar", completa.

Por fim, Café afirma que essa situação complica o cenário do setor imobiliário na cidade. "Isso prejudicou a nós, corretores, e tirou o médio e pequeno investidor do mercado", enfatiza.

Valorização

"Outra coisa, que ainda pretendo falar com o prefeito Gaspar, como delegado do Creci, é pedir a ele que, quando aprovar um qualquer projeto, residencial ou comercial, determine que 80% do material utilizado nas obras seja adquirido em Indaiatuba. E que também a mão de obra seja daqui em 50% ou 60%. Isso é fundamental, pois irá gerar movimento econômico na cidade", salienta.

"Construir aqui todo mundo quer, mas deixar o dinheiro aqui ninguém quer. Por isso, a política deve ser mais cuidadosa com isso, pois o resultado impacta para mim, para você e para todos. Não sou contra loteamentos, mas sim, faço séria objeção a atual situação, que retira os ganhos do município", reforça Café.


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