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Crise econômica sobrecarrega SUS e gera carência em serviços de saúde

Com a crise econômica que se instalou no Brasil e o consequente aumento do desemprego, um número considerável de beneficiários dos planos particulares de saúde teve de migrar para o Sistema Único de Saúde (SUS).

O Hospital Augusto de Oliveira Camargo (Haoc) já sente os efeitos da sobrecarga do SUS em seu atendimento. De acordo com o diretor da instituição, Dr. Edmir Deberaldini, em 2016 houve acréscimo de 10% no volume de pacientes atendidos. "Este ano, já identificamos um aumento em torno dos 15%", revela.

Para o diretor, o resultado é a superlotação do hospital, em todas as suas dependências, especialmente nas áreas críticas como a sala de emergências e as Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs).

"Já marcamos uma reunião com a Secretaria de Saúde do município para discutirmos esta questão; a solução é ampliar a oferta de serviços ao SUS, tanto pelo hospital como pela própria Secretaria", analisa o Dr. Deberaldini.

A Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abrange) aponta a crise econômica como principal causa das migrações dos beneficiários de convênios médicos para o SUS. Segundo a entidade, o alerta já vem sendo dado há dois anos, pois, o aumento do desemprego e a queda da renda da população têm provocado mudanças profundas no mercado.

A assessora de comunicação Andrea M. Gouveia ficou desempregada na metade do ano passado, e como consequência, ficou sem o plano de saúde. Agora, ela atua em uma empresa de pequeno porte fora da cidade, que não oferece convênio médico.

"Precisei fazer um exame de densitometria óssea, mas no posto me disseram que a fila do SUS é de um ano. Como não pude esperar, senão perderia o retorno ao médico, tive de pagar", relata. "Descobri também que a diferença de preços entre um laboratório e outro é considerável. No momento, não consigo arcar com um plano de saúde, pois meu salário diminuiu, mas as despesas continuam as mesmas", adiciona Andrea.

Recursos

"Enquanto o município investe na Saúde 71% do que arrecada, o Estado oferece a contrapartida de apenas 0,47%", revela Luiz Medeiros, membro do Conselho Municipal de Saúde (CMS). "O Executivo tem pouca mobilidade neste sentido, pois vem trabalhando com um PPA engessado de quatro anos atrás; só agora se está construindo um novo PPA para que o novo gestor possa começar a trabalhar", argumenta.

"Há pouco tempo, tínhamos uma previsão de custos de R$ 189 milhões, e já estamos em R$ 202 milhões. Recentemente, foram suspensas as cirurgias eletivas (de pequena monta); inclusive, o Estado tem promovido reuniões para conhecer as necessidades deste tipo de cirurgia em cada município - isso tudo devido ao cenário que enfrentamos hoje", cita Medeiros.

"Tivemos há pouco um aumento de 13% nos convênios médicos, o que para um empresário que possui uns 15 funcionários implica em um acréscimo considerável. Tem empresa que já está falando para os empregados escolherem entre o trabalho e o convênio. São 14 milhões de desempregados, e essas pessoas estão na rede pública", conclui Medeiros.

O ex-presidente do CMS também cita a falta de medicamentos como resultado da crise nacional, tanto em nível econômico quanto político.

"Muitos medicamentos e cirurgias são bancados pelo Estado, e recebemos recentemente uma lista de remédios que estão sem previsão para envio ao município. Em alguns casos, eles informaram a data de entrega, mas não cumpriram. E quem sofre é a população", salienta.

"A arrecadação diminuiu em todo o País, o que causa o efeito dominó. Inclusive o que vem acontecendo 'lá em cima', nos afeta primariamente - seja na falta da insulina, do remédio para hipertensão ou de um exame", lamenta o conselheiro.


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