Indaiatuba

Água em túmulo: cemitério nega interdição

No último sábado, a Tribuna divulgou o caso ocorrido com a cuidadora Sônia Zequini, que viu a sepultura do marido invadida pela água, no Cemitério Jardim Memorial. Conforme veiculado em mídia nacional, o local estaria impedido pela prefeitura de realizar novos sepultamentos, fato negado pelos administradores do cemitério.

A reportagem televisiva diz que a prefeitura interditou o Memorial e que ali não poderia haver nenhum sepultamento até que o problema fosse resolvido. Apesar de a mídia ter divulgado a nota da administração do Memorial, destacando que não houve interdição, tampouco contaminação do lençol freático, a informação não ficou clara para muita gente.

Na última sexta-feira, Sônia falou à Tribuna que, no momento de sepultar seu cunhado, no dia anterior, viu que a placa de concreto sobre o túmulo do marido estava rachada. "Percebi ainda que havia muita água no caixão, então, pedi para que o funcionário retirasse a placa", contou. Ela disse que o caixão estava boiando. "Também vazava água dos túmulos vizinhos sobre o caixão do meu marido. A água que havia lá não era de chuva", completou a cuidadora.

Em resposta, a administração do Memorial reiterou que esta ocorrência é normal, especialmente após período de chuva intensa. Além disso, rebate as acusações de que tenha havido contaminação do lençol freático. "A Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) determina que os resíduos de necrochorume fiquem a, pelo menos, um metro e meio do lençol freático. Após revisarmos documentação, temos a informação de que, no Jardim Memorial os túmulos estão a 12 metros do lençol freático", destacam os administradores.

Várias postagens em páginas do Facebook demonstram as opiniões e até indignação de muitos internautas. Contudo, o engenheiro Elias Nogueira, em seu perfil, comenta que o solo na região do Memorial é argiloso e, por isso a água demora a escoar. "Não tem como fazer nenhuma drenagem. Os cemitérios mais novos só obtêm a liberação da Cetesb caso não ofereçam risco de contaminar os lençóis freáticos", postou.

Notificação

Em nota, a prefeitura informou, por meio da Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente (Semurb), que foi emitida a notificação nº 1.727, cobrando explicações da empresa. O prazo para a resposta é de 15 dias.

Neste domingo, a equipe da Vigilância Sanitária acompanhou três sepultamentos, que ocorreram de forma regular, e elaborou relatório técnico. E ontem, a Vigilância enviou ofício à Cetesb, responsável pela fiscalização, para que proceda com a inspeção e verifique o cumprimento da legislação ambiental vigente por parte da empresa.

A administração do Memorial reafirma que não houve falhas ou descumprimento da legislação, e também que lamenta o ocorrido com a família de Sônia. "A Cetesb determina que o volume excedente de água pluvial fique no jazigo, sendo absorvida aos poucos pelo solo", conclui o engenheiro do Memorial.

A cuidadora, por sua vez, falou que já entrou com ação judicial contra o cemitério, e que pretende cancelar o contrato de serviço e retirar o corpo de seu marido do jazigo no Memorial. Já o cunhado de Sônia, que seria sepultado no mesmo local, foi transferido para o Cemitério Parque dos Indaiás.


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