Indaiatuba

No terceiro milênio, descarte do lixo está longe do ideal

A última reportagem sobre meio ambiente irá abordar a questão do lixo urbano. Apesar da evolução humana na criação de métodos inovadores de coleta e destino dos resíduos, somados a várias iniciativas de reciclagem, ainda há muita gente que insiste em transformar espaços públicos, privados e até preservados, para depositar a tralha que não irá usar mais.

Mesmo assim, a maioria dos brasileiros já conhece e pratica ações sustentáveis referentes ao lixo, não apenas em casa, mas também no trabalho e nas escolas. Hoje, as crianças aprendem a separar o lixo e qual destino é dado aos materiais que podem ser reciclados.

Em empresas, instituições de ensino e academias, por exemplo, os mais conscientes dispensaram os copos plásticos descartáveis e adotaram garrafas (squeeze), canecas e outros itens permanentes para o consumo de água, café ou chás. São sintomas positivos de uma geração que está sentindo na pele os efeitos dos abusos praticados contra a natureza.

Em um lixão não há cuidados em relação aos resíduos sólidos, que ficam dispostos a céu aberto. O plástico é apenas um exemplo de material que, ao ser depositado no meio ambiente, leva muito tempo para se decompor causando poluição. Também não há preparação prévia do solo, que recebe os líquidos e gases que se desprendem desses detritos e que vão diretamente ao lençol freático. Além desses fatores, os lixões atraem insetos e ratos, entre outros, que se tornam vetores de doenças.

O aterro, por sua vez, recebe cobertura de argila e grama (selada com manta impermeável, que protege contra a chuva), que promovem a captação do chorume (líquido orgânico desprendido de resíduos sólidos) e de gases tóxicos. Aqui também não há preparo do solo, mas sim, uma espécie de tratamento dos resíduos depositados na área, através da cobertura dos montes de lixo e de tratamento superficial do chorume.

Aterro sanitário

Em Indaiatuba, existe o aterro sanitário, modelo mais sustentável, que colabora para a preservação ambiental. Neste caso, há preocupação de preparar o solo para receber os resíduos.

O procedimento compreende o nivelamento de terra e posterior selamento da base com argila e mantas de PVC, o que garante a impermeabilização do solo e a consequente proteção da camada de lençol freático. O chorume é transportado por drenos a uma lagoa e, em seguida, a uma estação de tratamento de efluentes. Dados da Secretaria apontam que são produzidas mais de cinco mil toneladas de lixo por mês no município, totalizando quase 70 mil toneladas por ano, que ficam acomodadas no terreno.

Já em 2016, o gerente da agência Cetesb de Jundiaí, Domenico Tremaroli, revelou que o aterro sanitário de Indaiatuba havia recebido nota 9,8. José Carlos Selone, secretário de Urbanismo e Meio Ambiente (Semurb), afirmou à ocasião que o modelo de tratamento do lixo na cidade é motivo de orgulho e uma referência, não apenas na Região Metropolitana de Campinas (RMC), mas também no País.

Lixo tecnológico

A cidade conta ainda com o sistema de coleta seletiva, por meio dos ecopontos instalados em vários bairros, e o recolhimento desses materiais é feito por servidores públicos.

Todavia, há certos tipos de materiais cujo descarte ainda gera dúvidas e desconhecimento por parte da população. Trata-se das pilhas, baterias e peças eletrônicas, que vêm sendo deixadas indiscriminadamente em lixo comum.

A falta de informação sobre os efeitos reais (e extremamente nocivos) de se depositar no solo este tipo de material, assim como outros equipamentos eletrônicos que não servem mais, faz com que aumente a contaminação do meio ambiente. Como consequência, a saúde humana acaba também sendo colocada em risco.

Atualmente, a Semurb disponibiliza cinco pontos de coleta de pilhas e baterias: no ecoponto do Jardim Morada do Sol (calçadão); Ponto Azul; praças do Cato e D. Pedro II, e na rodoviária. As lâmpadas queimadas também não devem ser acondicionadas no lixo comum. Assim, a assessoria da Pasta alerta para que esses itens sejam levados diretamente à sua sede, à Rua Afonso Bonito, nº 215, Vila Brizola. Os munícipes também podem ligar no (19) 3801-8830 e agendar a retirada dos mesmos.

"O lixo eletrônico não deve ser depositado no lixo comum, que vai direto para o aterro sanitário, e nos ecopontos. É por isso que o Urbanismo faz a retirada nas residências, quando o munícipe não consegue entregar na Secretaria. A Prefeitura também tem um projeto em andamento para a criação de pontos específicos de coleta desses materiais, que precisam ser destinados a centros especializados de reciclagem", ressalta Selone.


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