Indaiatuba

Lei federal autoriza descontos para pagamentos feitos à vista

Comércio

Desde a última terça-feira, comerciantes brasileiros estão autorizados a diferenciar os preços para pagamentos à vista ou a prazo, de acordo com a forma de pagamento efetuada. A lei, sancionada pelo presidente Michel Temer (PMDB), em 26 de junho, também determina que os fornecedores de bens e serviços deixem em local visível ao consumidor, os eventuais descontos oferecidos em função do prazo ou instrumento de pagamento utilizado.

Na verdade, o texto apenas ratifica medida provisória em vigor desde dezembro do ano passado. Os comerciantes de Indaiatuba, por exemplo, já praticam os descontos nas compras à vista.

"Boa parte dos nossos produtos possuem valor fixo, ou seja, são estabelecidos pelo fabricante. Porém, para os itens que adquirimos e colocamos nossa marca, daí conseguimos um desconto maior aos clientes", afirma Felício Junior, vendedor de uma ótica no Centro. Ele revela que o desconto chega a 10%. "Também conseguimos, por exemplo, oferecer a lente de graça ao cliente que adquirir a armação do óculos. Neste caso, ele vai economizar cerca de R$ 100", emenda.

O relato do vendedor mostra que o comércio, em geral, já aplica a lei na prática. "Nossos clientes negociam bastante; isso talvez ocorra devido ao grande número de óticas existentes em Indaiatuba", opina Felício.

A gerente de uma loja de moda com numeração especial (plus size) também fala que são oferecidos descontos a quem compra à vista, porém, o mesmo não ocorre com pagamentos parcelados no cartão de crédito. "Devido aos encargos cobrados da loja, não temos como conceder desconto nas compras a prazo, mesmo que sejam pagas com cartão. Mas, se o cliente pagar no crédito numa só vez podemos dar o desconto; porém, este será menor do que o pagamento em dinheiro", esclarece.

Ela completa mencionando as promoções. "Trabalhamos com várias ofertas o que favorece as compras à vista, pois os clientes gostam de aproveitar os preços menores e economizar", finaliza a gerente.

Poder de fogo

Roseli Aranha gerencia um comércio do setor de lingerie e moda noite, e comenta que o estabelecimento oferece desconto de 5% tanto nas compras à vista em dinheiro como no cartão de crédito/débito. "Mesmo com os encargos conseguimos uma margem de lucro; assim, favorecemos os negócios para os dois lados", ressalta. "Os valores pagos via cartão só virão para nós daqui a 30 dias, independente da data de vencimento da fatura do consumidor; muitos confundem isso, mas a negociação da loja com a administradora do cartão é separada. No débito automático, por exemplo, eles cobram 3,15% da loja", continua Roseli.

A vendedora Eunice P. Moraes, que por muitos anos também foi empresária no comércio de peças íntimas, completa dizendo que os pagamentos em dinheiro continuam sendo maior vantagem. "Muitos clientes optam por esta modalidade, que é melhor até para eles, pois ficam livres dos encargos cobrados pelos cartões", argumenta.

"Os consumidores hoje estão mais cautelosos, educados financeiramente; e nós, comerciantes, acreditamos que isso seja uma vantagem, pois, o consumo desregrado causa a inadimplência, e consumidor endividado não faz girar o comércio", conclui Eunice.

A lei possibilita ainda que os consumidores tenham maior poder de barganha na hora da compra. Uma loja de moda masculina na região central chega a oferecer entre 20% e 30% de abatimento no valor à vista, conforme empresário do setor.

"Dependendo da quantidade e do tipo de mercadoria adquiridos pelo cliente, conseguimos chegar a um bom percentual de desconto", garante o proprietário Ronaldo de Jesus Santos. "Devido à situação do Brasil, as pessoas aprenderam a pesquisar e negociar, e eu não tiro a razão delas; e os comerciantes têm de se adaptar à nova situação", observa. "Há peças que chegam e eu tenho de praticar os valores de custo, e até menos, para atrair os consumidores", finaliza Ronado.


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