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Secas devem ser mais frequentes no Brasil

Neste ano, aproximadamente 12 milhões de pessoas foram afetadas pela seca. O fato foi confirmado por estudo recente do WWF-Brasil, que indicou também que a tendência é a de que haja aumento da frequência e severidade do clima seco em quase todo o território nacional.

O Centro-Oeste deve ser um dos mais impactados. A região abrange os estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e o Distrito Federal, que terão clima mais quente e redução do volume de chuvas nas próximas décadas.

Os dados foram coletados pelo estudo do Índice de Vulnerabilidade aos Desastres Naturais relacionados às secas, que o WWF-Brasil, junto aos Ministérios do Meio Ambiente e da Integração, lançaram na última quarta-feira.

A pesquisa teve o apoio da Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ), e mostrou ainda que a vulnerabilidade apresentada no País traz uma visão integrada do desastre, tendo como ponto de partida um índice composto por variáveis e subíndices que fazem sua representação em três dimensões, sendo climática, socioeconômica e físico-ambiental.

Segundo Eduardo Canina, analista sênior de conservação e mudanças climáticas, e responsável pelo estudo dentro do WWF-Brasil, o trabalho desenvolvido combina projeção para o futuro, incluindo fatores como condições socioeconômicas e políticas. "Os maiores causadores para o desastre natural da seca são a queima de combustíveis fósseis e o desmatamento frequentes", alerta.

Ele esclarece ainda que secas e estiagens representam uma categoria de desastres naturais com maior incidência no território nacional. "Aproximadamente 70% dos municípios brasileiros já foram atingidos por algum desastre no ano de 2013", aponta.

Fatores socioeconômicos

Canina argumenta que o papel social é essencial na gestão dos recursos. "O Nordeste, por exemplo, tem característica de ser seco e quente, com precipitação (pluvial) menor, o que o torna vulnerável. Dessa forma, ações promovidas em conjunto entre governos e sociedade podem representar a diferença nos impactos do clima no desenvolvimento econômico e social dessas regiões", destaca.

De acordo com o analista, a próxima etapa do estudo é olhar com mais atenção os contrastes regionais identificados para que sejam previstas ações pontuais em cada região afetada. "Verificamos que, além da região Nordeste, que apresenta hoje baixos níveis socioeconômicos - o que pode ser mais relevante do que a questão climática em si - o território do Sudeste demandam cuidado, já que possui maiores PIB (Produto Interno Bruto) e índice populacional", observa Canina.

O pesquisador Pedro Ivo Camarinha, um dos autores do estudo, cita a relação das características ambientais, socioeconômicas e demográficas como fator essencial para entendimento da vulnerabilidade dos municípios brasileiros. "A análise permitiu identificar que em alguns locais o clima não é o grande vilão da história, como se pensava. Em algumas regiões grande parte de desastres pode ser explicado pela falta de capacidade em lidar com as situações de secas. Além disso, a alta concentração demográfica e os problemas de gestão dos recursos hídricos podem resultar em grandes impactos no clima", citou.


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