Indaiatuba

Índice de mortes no trânsito em Indaiatuba sobe 214% em 2017

O número de óbitos no trânsito de Indaiatuba disparou em 2017. Só no primeiro semestre, a cidade registrou 22 mortes, que correspondem a um aumento de 214% em relação ao mesmo período de 2016, com sete vítimas fatais.

Os dados são do relatório do Sistema de Informações de Acidentes de Trânsito do Estado de São Paulo (Infosiga SP), divulgados na semana passada. O relatório revela ainda que mais da metade das fatalidades ocorrem no período noturno, entre as 18h e 6h, e que no primeiro semestre 1.480 pessoas foram vítimas do trânsito neste horário (53,8% do total de 2.753).

Segundo a pesquisa, o mês com mais ocorrências no semestre em Indaiatuba foi janeiro, com sete mortes, sendo as vítimas seis homens e uma mulher idosa, com faixa etária dos 30 aos 79 anos. Os acidentes aconteceram nos períodos do início da noite e de madrugada.

Em seguida vem fevereiro, com cinco óbitos registrados, sendo quatro homens e uma mulher, também idosa; as idades variavam dos 25 aos 74 anos. Março registrou quatro óbitos, todos do sexo masculino, sendo um idoso; abril e junho tiveram três mortes cada um, sendo quatro homens e duas mulheres. E, por fim, maio, que não teve registro de acidente fatal no município.

Em entrevista exclusiva à Tribuna, Renato Campestrini, gerente técnico do Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV), diz que normalmente nos acidentes estão presentes a imprudência, negligência ou a imperícia de um dos condutores. "São eventos que poderiam ser evitados com uma condução mais preventiva do veículo", esclarece.

Apesar de muitas ocorrências envolverem veículos de grande porte, como os caminhões, Campestrini afirma que eles representam apenas uma pequena parcela do que acontece nas vias. "Todos os dias nas rodovias e vias urbanas de nossa região, centenas de acidentes acontecem, muitos deles provocados pelo excesso de velocidade, pelo manuseio do celular enquanto se conduz e pelo avanço do sinal vermelho do semáforo", cita.

Limites

Questionado também sobre a justificativa de um motorista em não visualizar, à luz do dia, um caminhão ou ônibus à sua frente, Campestrini responde que o argumento é descabido. "Tendo em vista o tamanho desses veículos e as condições de luminosidade natural, não faz sentido", aponta.

"Para evitar acidentes com tais veículos no período noturno, a regulamentação do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) determina que eles possuam faixas refletivas na traseira, laterais, para aumentar a visibilidade, sendo dever do condutor transitar com esses dispositivos em boas condições para sua segurança e dos demais", explica o gerente.

Ele acrescenta que os demais motoristas respeitem os limites de velocidade e evitem as ultrapassagens pela faixa da direita. "Este trecho da pista é o local onde os veículos de grande porte trafegam mais lentamente", ressalta.

Campestrini lembra também que a necessidade atual de estarmos em vários compromissos no dia exige que sejamos mais rápidos e levamos isso para o trânsito. "Entretanto, o ato de transitar deve ser realizado com o foco exclusivamente no trânsito. Por isso, é recomendável que a pessoa saia antecipadamente de sua residência e assim possa dirigir de forma segura e responsável, sem pressa", orienta.

O gerente finaliza destacando que as campanhas de conscientização podem fazer a diferença entre ser ou não a próxima vítima de um acidente. "Sozinhas elas não são capazes de mudar comportamentos; é preciso que as pessoas acatem as orientações para que atitudes equivocadas não venham a ocorrer", conclui Campestrini.

Estadual

O Infosiga SP também traz estatísticas sobre acidentes e óbitos no primeiro semestre em território paulista. Foram registradas 2.753 fatalidades em todo Estado - redução de 3,8% e 108 vítimas a menos na comparação com 2016 (2.861). Em junho, foram 487 vítimas fatais (aumento de 5,2%) - no mesmo período do ano passado, foram 463.

Em relação aos acidentes com vítimas, que incluem as ocorrências sem fatalidades, houve redução de 5,2% no semestre, com 4.934 casos a menos (89.273 em 2017, e 94.207 em 2016). No mês passado foram 15.897 ocorrências, com redução de 1%.

Já os acidentes envolvendo motocicletas e pedestres atropelados continuam no topo da lista dos maiores causadores de mortes no trânsito. Um terço das vítimas (33,5%) eram motociclistas, seguidos por pedestres (28,4%) e condutores e passageiros de automóveis (22,9%); e os ciclistas correspondem a 6,2% das ocorrências.


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