Morador da cidade fala sobre ataques a Hiroshima e Nagasaki

Indaiatuba

Morador da cidade fala sobre ataques a Hiroshima e Nagasaki

Um dos maiores atentados da história da humanidade aconteceu no dia 6 de agosto de 1945. Há 72 anos, um Boeing B-29 intitulado Enola Gay lançou uma bomba atômica sobre a cidade de Hiroshima, no Japão, em missão concebida pelo Governo dos Estados Unidos. O fato mudou a vida de milhares de pessoas, fazendo com que muitos japoneses deixassem sua terra natal para viver longe dos horrores da guerra. O Brasil recebeu muitas famílias e Indaiatuba foi uma das tantas cidades escolhidas.

Em contato com a Acenbi (Associação Cultural Esportivo Nipo Brasileiro Indaiatuba), a Tribuna conheceu Makoto Anbe, que se lembra do ataque que causou a morte de mais de 140 mil pessoas. O entrevistado nasceu na província de Hiroshima em 1949, quatro anos depois da guerra, e chegou em Indaiatuba com três anos de idade, com seus pais e uma irmã, a convite de seus avós paternos que já viviam na cidade. Ele não tem lembranças diretas, mas recorda das histórias contadas por sua mãe. Seu pai, que esteve na guerra, falava pouco com a família sobre sua experiência.

"Meu pai esteve na guerra, na China, na região da Manchúria. Ele não falava muito, o que sei são coisas que minha mãe contava e algumas que a gente sempre lê", afirma Makoto. Em uma das histórias que sua mãe contava, recordava que as mulheres também eram convocadas pelo governo para realizarem treinamento de guerra. "Como não tinham armamentos, faziam uma espécie de lança de bambu para os treinamentos", aponta. 

A família de Makoto não foi atingida diretamente pelos efeitos da bomba, mas uma recordação permanece. "Aquele avião, o B-29, a mamãe o avistou", conta. "Nessa época meus pais ainda não eram casados, eles se uniram depois que papai voltou da guerra. Mamãe morava na zona rural e avistou o avião da Força Aérea Americana e logo ficou sabendo que Hiroshima havia sido bombardeada", lembra. Cerca de 80 mil pessoas morreram com a explosão, mas os números chegaram próximo dos 170 mil, devido aos efeitos da radiação. 

"Na década de 1980, cerca de 300 mil pessoas ainda tinham sequelas dos efeitos da bomba atômica. Ainda hoje existem muitos japoneses com mais de 80 anos que sofrem os efeitos da bomba", lembra. Por ter vindo do Japão ainda bebê, Makoto não tem lembranças da sua cidade natal, mas revelou que em breve pretende visitar o Japão e a cidade onde nasceu.

Makoto registra o acontecimento como o mais degradante da histórica da humanidade. "Não só pelo que aconteceu em Hiroshima, mas também em Nagasaki. Hoje a minha maior preocupação é que não volte a acontecer um ataque nuclear novamente", conclui.

Segunda bomba

No dia 9 de agosto, três dias depois de Hiroshima ter sofrido o ataque, um novo alvo foi atingido. Outro bombardeiro B-29, o Bockscar, despejou sobre a cidade de Nagasaki uma bomba de plutônio, mais forte que a primeira. A topografia de Nagasaki, localizada entre montanhas, impediu uma maior irradiação dos efeitos da bomba. Entretanto, mas de 40 mil pessoas morreram no segundo ataque.

Em decorrência da ação direta das duas bombas, dezenas de milhares pessoas morreram posteriormente por causa da radiação. O atentado às cidades forçou a rendição do Japão, culminando no fim da Segunda Guerra Mundial, que já tinha sido encerrada na Europa, mas continuava no Oceano Pacífico. (Luciano Rodrigues)


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