Indaiatuba

Proteção às árvores deve ser priorizada

Na última quinta-feira foi celebrado o Dia da Árvore. Porém, ao contrário do que se poderia esperar, as plantas não recebem o devido cuidado, já que muitos ainda não se conscientizaram de sua importância no equilíbrio ambiental.

Uma das situações que mais compromete as árvores é a poda drástica, realizada sem qualquer critério ou orientação. Segundo o arquiteto paisagista Charles Fernandes, este tipo de poda consiste no rebaixamento radical das copas das árvores, sem perícia técnica e, em alguns casos, não poupando nem mesmo os troncos.

"A poda drástica diminui ou interrompe a velocidade de crescimento da planta. Normalmente ela é feita com o intuito de se reduzir os custos de manutenção com podas, de um modo geral", explica.

Charles alerta que, dependendo do caso, a árvore pode morrer após o corte drástico. "A principal função das podas é a de orientar o crescimento das plantas, por isso, ela é importante. Um bom exemplo de poda necessária ocorreu com os jacarandás na região de Itaici, vindo para Indaiatuba. Os galhos das árvores estavam sobre as placas e comprometiam a segurança de pedestres e motoristas", cita o arquiteto.

Assim, a poda drástica de árvores localizadas em passeios públicos (calçadas ou fora de lotes) é crime previsto em lei, e a pessoa que infringir a norma será notificada. A Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente (Semurb) lembra que Indaiatuba possui o Plano Municipal de Arborização Urbana, aprovado pelo Decreto nº 12.454, de 28 de maio de 2015. De acordo com a assessoria da Pasta, o documento rege o planejamento e disciplina para a execução da política de plantio, manejo, preservação e expansão da arborização urbana.

Nativas

No início da semana, a Tribuna divulgou a poda drástica promovida em árvores da espécie nativa pata-de-vaca, localizadas à Rua Humaitá, próximo ao terminal rodoviário. Questionada, a assessoria da Semurb respondeu que iria apurar o responsável; trata-se de um ser-
vidor da Secretaria, o qual já sofreu punição administrativa.

De acordo com a Lei de Crimes Ambientais (nº 9.605/98), a poda e o corte de árvores são condutas distintas. Enquanto o corte é a separação total do tronco e da raiz, a poda consiste em cortes secundários, sem separar a raiz do caule; na maior parte das vezes, é benéfico à árvore.

Em resumo, com relação ao corte ou danos causados a uma árvore, haverá crime se a mesma estiver em área de preservação permanente (artigo 39); caso se trate de madeira de lei, e o corte for para fins comerciais e/ou de exploração (artigo 45); se a árvore pertencer a logradouro público ou for de propriedade privada (artigo 49); e/ou integrar patrimônio de determinada pessoa.

Quando da necessidade de se cortar uma árvore, o correto é acionar a Semurb, que enviará técnico para avaliar a condição da árvore a que se refere a solicitação e verificar a real necessidade da derrubada, corte ou poda. Para solicitar o serviço, a população deve entrar em contato pelo telefone (19) 3825-5410 ou comparecer pessoalmente à Secretaria, localizada à Rua Afonso Bonito, 215, Vila Brizola.

Refúgio

Na medida em que a população participa da manutenção e dos cuidados com as árvores da cidade, melhor se torna a qualidade de vida. Além de reduzirem o impacto causado pelas chuvas, evitando erosões, assoreamento e enchentes, as árvores são imprescindíveis ao ecossistema, já que elas diminuem a poluição por meio da absorção do dióxido de carbono, minimizando o efeito estufa.

As árvores contribuem ainda para a biodiversidade, pois servem de refúgio e alimento para a fauna. Por esse motivo, o cuidado no plantio e em sua manutenção é de extrema importância.

"Vejo muita gente por aí querendo derrubar árvores só por causa da sujeira; isso é um absurdo", opina a aposentada Carmem L. S. Torres, do Jardim Itamaracá. "A única sujeira que realmente atrapalha é a causada pelas pessoas, gerando insetos e doenças", completa.

A analista de vendas Andrea M. B. Rodrigues revela que um de seus hobbies favoritos é cuidar de plantas. "Sempre que posso fico próxima a minhas flores e árvores. Não me incomoda nem um pouco varrer as folhas no chão; aliás, para mim, é uma terapia", confessa.


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