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Consumidores contarão com nova opção de cobrança de luz em 2018

Adesão

Daqui a três meses, os consumidores poderão contar com uma nova opção de tarifa para a conta de luz. Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a partir de 1º de janeiro de 2018, será aberta a adesão à tarifa branca, que reduz o custo da energia consumida fora do horário de pico.

Basicamente, a tarifa branca é a escolha da adoção de preço diferente de acordo com o horário de consumo, o que já acontece em vários países europeus. Com esta opção, a energia consumida fora do horário de pico será mais barata.

Com as novas regras, nos dias úteis o preço da energia será dividido em três horários: ponta, intermediário e fora de ponta. O horário de ponta, com a energia mais cara, terá duração de três horas, normalmente no período da noite. A taxa intermediária será uma hora antes e uma hora depois do horário de ponta. Em feriados nacionais e finais de semana o valor será sempre fora de ponta. As faixas de horários vão variar de acordo com a distribuidora em cada região.Antes de aderir à tarifa branca, é importante que cada consumidor conheça seu perfil de consumo. "Observe quais são os horários em que você e seus familiares normalmente fazem uso do chuveiro elétrico e de eletrodomésticos, entre os quais ar condicionado, micro-ondas, ferro de passar roupas e secador de cabelos - os que mais consomem energia", aponta Juliana Rios, gerente de uma empresa de soluções tecnológicas.

"Se optar pela tarifa branca você pode adotar hábitos que priorizem o uso desses itens fora do período de ponta. O chuveiro elétrico é o elemento da residência que mais consome energia, portanto, se você utiliza chuveiro a gás, a adesão à tarifa já pode se justificar sem a necessidade de alterar o padrão de consumo", explica.

Com a adesão à esta modalidade por boa parte dos brasileiros, o hábito de consumo no País poderia mudar, resultando em melhora e aumento da eficiência nas distribuidoras de energia e diminuição de custos repassados à sociedade. "Isso causaria, inclusive, um alívio na inflação. Um amplo programa de comunicação por parte do governo sobre as vantagens da tarifa branca seria essencial", comenta Juliana.

Formalização

Referente às concessionárias e distribuidoras de energia, a adoção da tarifa branca tem impacto significativo nos processos de medição e eficiência energética que as distribuidoras de energia adotam. "A distribuição do consumo ao longo do dia deve resultar em postergação de investimentos na rede elétrica", destaca.

"O uso da tecnologia será fundamental para colher os dados de consumo remotamente, cruzar esses dados e direcionar melhor ações de eficiência energética na distribuição de energia", avalia Juliana.

Para aderir à tarifa branca, os consumidores precisam formalizar sua opção junto a distribuidora a partir de janeiro do ano referente ao planejamento. Será instalado no imóvel um novo tipo de medidor de energia que contabilize o consumo para os diferentes postos horários. Os custos do medidor e do serviço serão de responsabilidade da distribuidora.

A Aneel determina um cronograma de três fases:

1- Unidades que consomem mais de 500 quilowatts-hora (kWh) em média por mês poderão optar por aderir à tarifa branca a partir de 2018;

2- Para quem consome entre 250 e 500, a partir de 2019;

3- O restante das unidades a partir de 2020. Caso a unidade que aderir não fique satisfeita, poderá retornar à tarifa convencional depois de 30 dias. Se mudarem de ideia novamente e quiserem voltar para a tarifa branca, só poderão fazê-lo depois de 180 dias. Vale ressaltar que a tarifa diferenciada não valerá para os grandes consumidores, como as indústrias, nem para quem é incluído na tarifa social de energia.

Estimativas da Annel apontam que até 2,5 milhões de unidades consumidoras farão a adesão à tarifa branca já na primeira fase.

Portabilidade

Para Antonio Carlos Caldas, gerente da área de utilities de uma empresa de TI (tecnologia da informação), o assunto é importante para as pessoas e, principalmente, para o bolso, já que a mudança representa importante passo no caminho de oferecer aos consumidores a opção de portabilidade.

"Na prática, tomar banho às oito horas da noite ou a uma da manhã, hoje, não tem nenhuma diferença para a sua conta de energia elétrica. Caso você opte em aderir à tarifa branca, aí sim fará e muita diferença nas contas do final do mês porque o preço da energia será dividido em três faixas", esclarece.

"A tarifa branca tem como objetivo principal conciliar interesses das distribuidoras e dos consumidores. No caso das distribuidoras, adia a urgência de realização de grandes obras de infraestrutura; e para os consumidores é uma boa opção de economia", avalia.

"Este movimento de portabilidade, que já está consolidado em diversos países, tem a ideia de oferecer ao consumidor brasileiro a possibilidade de escolher, dentre as 150 empresas que comercializam energia, qual a melhor opção. Todo o processo seria realizado pela internet, por meio de contrato de um ou dois anos. A reflexão já pode começar agora", conclui Caldas.


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