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Mais da metade dos professores da rede estadual já sofreu violência

Agressão verbal ou física, furto, discriminação e bullying são tipos de violência que, infelizmente, estão presentes no dia a dia da maioria das escolas estaduais de São Paulo. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva, a pedido do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), aponta que 85% dos professores souberam de casos de violência nas escolas estaduais onde trabalham e 51% afirmaram que já foram vítimas de violência no ambiente escolar.

Entre as situações de violência que mais da metade dos professores afirma já ter sofrido, 44% falaram em agressão verbal, 9% em discriminação, 8% em bullying e 5% em agressão física. O percentual de professores que declara ter sofrido algum tipo de violência na escola em que trabalha passou de 44% (em 2013/2014) para os atuais 51%. Já o número de alunos vítimas de violência saltou de 28% para 39%.

Além de professores e estudantes da rede estadual, a pesquisa ouviu também os pais e a sociedade, que demonstraram grande preocupação em relação ao aumento da violência nas escolas. Para 87% da população, 79% dos pais, 73% dos estudantes e 84% dos professores, a violência nas escolas estaduais aumentou nos últimos anos. A sensação de insegurança nas unidades também é alta, sendo que 45% dos pais, 48% dos estudantes e 37% dos professores não se sentem seguros no ambiente escolar. 

Reflexos

"O quadro é gravíssimo. Se é verdade que se trata também de um reflexo da violência que existe na sociedade, não basta constatar esta realidade. É preciso saber como as autoridades educacionais e a comunidade vão lidar com uma situação que ocorre dentro das próprias unidades escolares", comenta a professora e presidente da Apeoesp, Maria Izabel A. Noronha.

Para o autor da pesquisa e presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles, o estudo "deixa claro que a escola, que deveria ser um espaço seguro e acolhedor, é hoje um ambiente tão ou mais violento que as ruas do nosso Estado". Ele também alerta que, caso a questão não seja tratada a tempo, "poderá comprometer o futuro educacional e profissional de toda uma geração".

Os entrevistados apontaram drogas e álcool, o conflito entre estudantes e a falta de policiamento são as principais causas que contribuem para a violência nas escolas estaduais. Os professores a-
crescentaram que a educação em casa é fator essencial em situações de conflitos.

Já em relação às soluções possíveis frente à violência, os participantes foram unânimes em indicar investimentos em cultura e lazer, além de aumentar o policiamento no entorno das escolas.


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