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Câncer de mama: os impactos emocionais na autoestima

Outubro Rosa

A neoplasia, ou câncer de mama, é o tipo de tumor maligno mais comum. Anualmente, até 1,7 milhões de novos casos são registrados, atingindo mulheres de todas as faixas etárias. Paralelo à questão clínica, a doença atinge em cheio o psicológico feminino, gerando impactos profundos na autoestima.

Marjorie Regina Martins Gatti atua há dois anos com as Voluntárias de Apoio no Combate ao Câncer (Volacc), em trabalho cognitivo-comportamental, e fala um pouco de sua experiência com as pacientes assistidas pela entidade.

A reportagem perguntou a ela sobre os casos de hereditariedade da doença nas famílias - se este fator poderia causar nas mulheres o temor de desenvolver câncer de mama. "Nem todo o câncer é hereditário, mas se o câncer de mama afetou repetidamente mais de uma geração na família exige uma investigação mais aprofundada. Consequentemente, percebo que há um aumento na ansiedade e preocupação de mulheres com histórico de câncer de mama na família, principalmente daquelas que estão lidando diretamente com uma pessoa afetada. Em sua maioria, essas mulheres passam a se prevenir mais frequentemente, na intenção de descobrir a doença assim que ela surgir", esclarece.

Em relação à decisão de fazer o exame, devido ao receio do diagnóstico, Marjorie ensina o caminho. "Primeiramente, devemos auxiliar sugerindo que nada é obrigatório, e que o fato de casos familiares não significa que o surgimento de um tumor seja regra", inclui. Todavia, Marjorie alerta que, especialmente nesses casos, a prevenção se faz mais necessária. "Diagnósticos precoces reduzem as chances da doença em até 30%."

"Apesar do avanço tecnológico da medicina, o diagnóstico ainda é encarado, muitas vezes, como sentença de morte", prossegue Marjorie. "Poucas conseguem ter equilíbrio emocional para responder de maneira mais positiva logo que recebem o resultado. A doença desencadeia preocupações em relação à morte, assim como respostas emocionais negativas como ansiedade, desesperança, medo, raiva e depressão", cita.

"Com o decorrer do tratamento, esses pacientes acabam vivenciando perdas e sintomas que afetam diretamente o organismo, e esses fatores despertam nos mesmos uma grande incerteza em relação ao futuro", complementa.

Suporte emocional

Para reduzir os impactos emocionais, Marjorie sugere a procura de profissionais especializados. "Eles vão oferecer suporte emocional tanto para o paciente quanto para os familiares. Todos os medos e angústias devem ser tratados com atenção, uma vez que quanto mais positivamente o paciente lida com a doença, melhores resultados são vistos nos tratamentos", pondera.

Sobre as mulheres que preferem não realizar qualquer tratamento, por receio das transformações físicas advindas (queda de cabelo, retirada da mama, entre outros), Marjorie diz que a Psicologia reconhece esses fatores como forte ameaça às mulheres. "A mastectomia (retirada da mama) simboliza a mutilação da feminilidade, o que afeta profundamente a autoestima. Mulheres que optam por não fazer o tratamento, precisam de acompanhamento psicológico para que seja trabalhada, acima de tudo, essa auto-estima danificada, esse medo de "ser menos mulher" que a falta dos seios pode causar", aponta Marjorie.

Ela finaliza dizendo que, neste sentido, a psicanálise busca mostrar que a feminilidade está na mulher, e não em partes do seu corpo. "Trabalhamos o estímulo a uma mudança de foco, onde a vida se faz mais importante que o corpo físico. Contudo, se mesmo assim, a mulher optar por não fazer um tratamento, a decisão deve ser respeitada", conclui.

Palestras

Na próxima quarta-feira, às 19h30, a Volacc irá promover palestras sobre prevenção e tratamento do câncer de mama. O evento será na Associação Paulista de Medicina (APM), na Av. Fábio Roberto Barnabé, 709, Vila Teler. Os temas serão abordados pelas médicas especialistas Dra. Ana Paula C. Spadella e Dra. Carla Andries Cres Lyrio. Informações e inscrições pelos fones: (19) 3875-4544 (Volacc) e 3875-7200 (APM). Participação gratuita.

Prevenção é possível

Muitos se questionam sobre a possibilidade de prevenção do câncer de mama. O mastologista e diretor do Hospital Fundação do Câncer, Carlos Frederico Lima, garante que sim. “Com a adoção de medidas simples no dia a dia, é possível reduzir a incidência da doença”, sugere.

“A prática de atividade física pode reduzir em até um terço os riscos da doença. Crie o hábito de fazer 30 minutos de exercício aeróbico três vezes na semana, pelo menos”, indica o mastologista. Uma dieta equilibrada, ficar longe do cigarro, e não consumir álcool (responsável por 2% a 3% das mortes por câncer) também são as principais alternativas de prevenção da doença listadas pelo dr. Lima.

Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) mostram que, no Brasil, o câncer de mama responde por cerca de 25% dos novos casos registrados anualmente. Em pesquisa divulgada (biênio 2016-2017), o Inca estimou a ocorrência de 57.960 casos novos no ano passado.

Apesar de os números serem relevantes, o câncer de mama é um tumor curável em até 98% dos casos, se detectado na fase inicial, reduzindo significativamente a necessidade da mastectomia (retirada dos seios), tão temida pelas mulheres. A recomendação da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) é a realização da mamografia de rastreamento (quando não há sinais nem sintomas) em mulheres entre 40 e 69 anos, ou antes.

“Somente o exame de mamografia pode mudar a curva da doença. Uma das barreiras para a detecção precoce do câncer de mama é o medo. Por isso, as campanhas de conscientização são importantíssimas para que as mulheres não demorem a procurar orientação médica para realização do exame”, alerta Lima.


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